Vinagrete 16.04.25

A judiacilização da política

Fotografia de desportaaberta.com,

Fotografia de desportaaberta.com,

Não é só no Brasil que reparamos nos horrores da judicialização da política. Os autoproclamados juízes ‘mão limpas’ nunca resultaram, como se sabe, numa grande solução política. Basta ver o que deu oportunismo de figuras como o espanhol Garzón, muito cotado por cá.

Claro que os juízes devem apreciar casos muito concretos, ou medidas muito concretas, dos Governos, em recurso dos cidadãos. Mesmo numa Justiça que levante tantas dúvidas, como a actual pelo mundo fora, em especial cá dentro. De resto, os juízes portugueses sempre foram especialistas em serem fortes com os fracos e fracos com os fortes. Por isso, só perseguem as pessoas quando abandonam o poder, como se pode ver agora com Alberto João Jardim (e não digo que não mereça ser perseguido pela Justiça, mas seguramente merece-o há muito tempo) – que toda a gente, mesmo os seus apoiantes, sempre disse actuar fora dos limites democráticos da Lei.

Mas agora é um Partido, e ainda por cima o maior da Oposição, o PSD (que realmente, como se viu com o anterior Executivo, atravessa uma fase triste, apenas compensada pela eleição do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, pouco identificado com a actual direcção do PSD) a pedir ao Ministério Público que instaure um inquérito-crime a Mário Centeno por causa, alegam os sociais-democratas, das mentiras do ministro no inquérito ao Banif. Questão que entretanto está a ser analisada numa das numerosas e ineficazes comissões parlamentares de inquérito (muito mais apta ainda assim para tratar do assunto, e certamente menos inepta do que a Justiça).

Precisamos mesmo de um PSD mais sério e político. E também de menos intromissões burocráticas e antidemocráticas da Europa ou de Bruxelas no Poder nacional. E de ver alguém responsável pagar por todas as irresponsabilidades dos Banifes desta terra. Mas a nossa Justiça (se assim se pode chamar) a julgar o novo ministro das Finanças?

Enfim, claro que a ideia parte de um partido que escolheu um tal Gaspar austeritário (e hoje keynesiano e favorável ao crescimento e ao investimento público nas entrevistas que dá) para ministro das Finanças, e achou por bem pôr a suceder-lhe uma pessoa aparentemente sem uma única ideia e que se limitou a fazer o que o ministro saliente considerava ter dado errado, como essa tal Mª Luís Albuquerque, hoje pronta a aproveitar o currículo de ex-ministra para ir ganhar dinheiro numa entidade financeira estrangeira com negócios em Portugal, numa área por si já tutelada (por mais incrível que isto pareça, é verdade).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s