Vinagrete 16.04.24

A ‘chulice’ do ensino privado

Fotografia de serestudante.com

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Não escondo que sempre preferi para os meus filhos o ensino privado (e que o consegui ter durante 14 anos vividos no estrangeiro). Mas tenho a ideia forte de que a grande obrigação do Estado é assegurar o acesso a um ensino público o melhor que for possível (melhor no acesso, e melhor na qualidade do ensino).

Ainda me lembro, antes do 25 de Abril, de o ensino público (apesar de pouco acessível para os mais desfavorecidos) ser muito melhor do que o privado (então indicado sobretudo para os cábulas). E de nem sequer haver universidades privadas (pelo menos decentes e conhecidas), com a única excepção da Católica (embora na altura com bastante menos projecção).

Mas antigamente, como hoje noutros Países, o ensino privado vivia por si, e até fazia grandes descontos a famílias maiores (o 2º irmão tinha um desconto, o 3º desconto maior, e o 4º já não pagava). Imagine-se o maná que eu tinha, com 8 filhos, se pudesse aproveitar isto.

Mas não: o ensino privado em Portugal tornou-se uma espécie de ‘chulo’ dos apoios públicos (que foi recebendo em crescendo), e deixou de fazer descontos. De tal maneira, que acabei de ter de pôr no ensino público os meus filhos, quando vim para Portugal – embora durante um ano ainda os conseguisse ter em colégios privados, que já não faziam desconto nenhum, nem a famílias numerosas, ao contrário do país de onde eu vinha. (Por exemplo, os colégios da OPUS, em Espanha, mantêm os alunos sem pagarem, quando os pais entram em dificuldades económicas, mas o de cá limiram-se a expulsa-los, como vi por experiência própria).

E no ensino público a que tive de recorrer, por impossibilidade de pagar os colégios privados, também fui obrigado a satisfazer-me com o liceu da minha morada – que é o Maria Amália, bastante degradado, com o recreio transformado em parque de estacionamento (o que leva os alunos a andarem a arrastar-se pelas ruas ou cafés da redondeza), e com um ensino que não me satisfazia. Na altura, se quisesse mudá-los para um liceu melhor (o D. Amélia, no Alto do Calvário, dirigido por uma professora Isabel Guê, tinha muito melhor fama), era preciso passar a morar na sua zona (o que ainda consegui fazer).

Pois agora os colégios particulares querem processar o Estado, por pretender impor também aos privados que subsidia, esta norma obrigatória para os públicos. De forma demasiado ténue, e não afectando os alunos já entretanto admitidos (com o apoio de algum Governo menos dado ao ensino oficial e estatal para os desfavorecidos). Esta ‘chulice’ é um dos dramas do nosso ensino privado, que pode dar-se ao luxo de ser muito mau, enquanto o estatal for ainda pior.

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