Vinagrete 17.04.25 – E a França vai

Segunda volta das presidenciais francesas está já cantada, fotografia de El País

Afinal, não aconteceu o dominó, segundo o qual, na opinião de muitos, a seguir a Trump a Europa cairia toda numa deriva de extrema-direita. Já houve eleições na Áustria e em França que o desmentiram. Noutros países, como a Alemanha, se Merkel perder será para um social-democrata, com provas muito dadas na presidência do Parlamento Europeu.

De resto, os EUA são muito diferentes da Europa. Eu diria que há menos europeus assim extremistas, por falta de formação, do que americanos. E estou a recordar o que dizia o pensador americano de origem europeia George Steiner sobre as Universidades americanas, para concluir como isto é mais verdade, e a saloiice de baixa classe média fascinada com os estudos americanos florescente sobretudo em Portugal)

Eleições francesas menos catastróficas do que se anunciava, fotografia do Jornal Económico

não é de ter em grande conta. Steiner, por exemplo, diz bastante mal das escolas americanas, incluindo Harvard, onde estudou nos anos 50, e de onde saiu por entender ser má. Ele acrescentava que todas as grandes figuras americanas têm estudos europeus, e não feitos nos EUA. Keynnes, estudou em Inglaterra, Hayeck, na Áustria; Blomm, na Austrália e em Inglaterra; o prºoprio Steiner, em França; Einstein, na Alemanha; e por aí fora

Por outro lado, na minha opinião, Marine Le Pen nem teve um grande resultado. Ficou-se pela baixeza das sondagens, e ninguém lhe profetiza hoje uma vitória (basta ver a reacção entusiástica dos mercados, por muito pouco inteligentes que estes sejam, a dá-la já como seguramente derrotada). Pois já se sabe que as classes muito baixas e de pouca formação tendem a ir para este tipo de voto de protesto, também chamado depreciativamente populista,

Les mauvaises esprits se rencontrent, imagem da CNN

mas na Europa têm formação suficiente para não alinharem maioritariamente em Penes (bastaram as experiências fascistas e nazis de antes do meio do Século passado).

E, contudo, o populismo nem devia ser encarado depreciativamente, nem desprezado. Era simplesmente bom existirem mecanismos democráticos que obrigassem os políticos às suas promessas. E se elas fossem populistas (ou seja, com características para serem aceites entusiasticamente pelo povo), bastaria obrigar quem as faz a cumpri-las. Assim, o populismo passaria a ser democrático. E não seriam possíveis Trumps, nem Bepes Grilos, nem Passos Coelhos, nem um imenso etc.

Imagem de Fleg Blog

Quanto a Macron, sempre me pareceu estranho ser tão apoiado, quando não tem partido em que sustente o Governo. Mas se os seus eleitores detestam precisamente os partidos do centrão… talvez ele tenha razão em não ter querido meter-se nisto.

No entanto, não podemos considerar que a V República Francesa, desenhada por De Gaulle à sua medida, baseada num Presidente forte apoiado na Assembleia por uma maioria de deputados centristas (no caso, de centro-direita), está posta em causa, apenas por causa da sua eleição. Ele pode optar por formar um partido para disputar as próximas legislativas francesas (mas lá está, arrisca-se a ser ignorado por quem despreza o parlamento pró-europeu, apesar do seu reafirmado europeísmo.

Aliás, desde o surgimento em força de Trump, e talvez por isso, para se evitarem confusões, vimos desaparecerem do debate público muitos cépticos europeus de credenciais democráticas impolutas (estou a pensar, no caso português, em João Ferreira do Amaral).

 

Pode ser que Putin e o Daesh ainda se esforcem por ela, mas não se vislumbram resultados para esses esforços, fotografia de pt.insider.pro.jpj

Enfim, Macron, ou se esforça por avançar com uma VI República mais democrática do que a V, feita à imagem de um homem (embora não acredite que ele resista a ficar-se muito também pela sua própria imagem). Ou decide governar com a prata da casa, arriscando-se mesmo a não ser a sua prata, embora também não tão hostil como a dos governos antipresidandiais de Chirac (1986-88), com o Presidente Mitterrand, ou de Balladur (1993-95), ainda com Mitterrand, ou de Jospin (1997-2002), com Chirac. São duas probabilidades igualmente plausíveis.

Pela parte que me toca, gostaria de ver restaurada, respeitabilizada e democratizada a expressão populista; e gostaria que os partidos respeitáveis não deixassem aos extremistas ou radicais as políticas sensatas sobre imigraçãoo: por exemplo, obrigar os imigrantes a respeitarem as normas vigentes nos países em que se instalam, como é normal; e não os aceitar quando eles claramente odeiam essas normas ou culturas dominantes. Para bem de ambos: imigrantes e recepcionistas.

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