Vinagrete 16.05.07

A manifestação pelo ensino privado pago pelo Estado

Fotografia de montanharussa.blogs.sapo.pt

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Ontem fizeram-se por este país manifestações a pedir que o Estado pague o ensino privado (com o dinheiro de todos os contribuintes, mas apenas a favor dos alunos aceites pelos colégios privados), de maneira a que ele possa sobreviver à custa dos contribuintes, mesmo onde existem escolas públicas.

Devo reconhecer que tive os meus filhos em escolas privadas, quando vivi no estrangeiro. Mas, de volta a Portugal, como não tinha quem me ajudasse a pagar estas escolas, e elas não faziam borlas ou descontos sensíveis (ao contrário do que sucedia onde eu vivera, pelo menos no que se referia a famílias numerosas ou com outro tipo de dificuldades), tive de optar pelo público. Também gostaria que o Estado me tivesse pago colégios privados para os meus filhos, mas não o fez, e até achei isso natural. E afinal eles até se desenvencilharam razoavelmente bem no ensino público, porque ainda há escolas públicas boas (os meus filhos só dizem bem do Liceu D. Amélia, em Lisboa, dirigido por uma professora Guê, quando lá andaram) e mais ainda nas Faculdades (em que as públicas são geralmente melhores do que as privadas, e embora caras, se tornam só incomportáveis nesta nova mama do ensino de Bolonha, com os caríssimos mestrados mesmo públicos).

Entretanto, deu-me para reparar que quase todos os argumentos esgrimidos pelos defensores de um ensino privado à custa dos contribuintes funcionam na realidade contra eles, e a favor de um ensino público melhor. Vão-se despedir professores do ensino privado? E preferiam fazê-lo, como têm feito, do público? O mercado deve funcionar onde existe sem concorrência do público? Mas não é obrigação prioritária do Estrado, e foi-o até no anterior regime (em que as escolas públicas, mesmo no básico, eram melhores do que as privadas) assegurar um ensino público para todos? O direito de escolha? Tem de ser entre o wensino do Estado, no público, ou o privado, livre das amarras do estado (contribuinte).

Enfim, penso que todos concordaremos em que o importante é defender uma boa escola pública, a que todos tenham acesso, e dar liberdade às privadas para existirem sem chulices públicas dos contribuintes. É que ninguém põe em causa a liberdade das escolas privadas existirem, mas apenas de serem pagas pelo Estado onde existem colégios públicos equivalentes.

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