Vinagrete 22.02.01 – O Poder não desgasta…

Como diziam alguns comentadores novecentistas, a começar pelo nosso Eça, o Poder não desgasta, o que realmente desgasta é a Oposição. E como dizem, de uma forma igualmente clara alguns comentadores actuais, são os governos em funções que ganham ou perdem eleições.

            Isso parece-me ter ficado bem à vista nestas legislativas nacionais, embora se possa dizer que agora é mais fácil tirar conclusões.

            De facto sou como aquele futebolista que só gosta de fazer prognósticos no fim do Jogo. Mas quem me atura mais de perto sabe o que eu dizia. E até achava que o eleitorado socialista, embora se possa dar muito à abstenção, quando as sondagens lhe prevêem maiorias, tinha o exemplo de Lisboa demasiado perto para cair no mesmo. Além de que a campanha do PS resolveu não ir pela só aparente facilidade das sondagens, e dramatizou bem o assunto. E ainda havia outro problema: é que Rui Rio costuma ser um ganhador (razão pelo que nunca o substituiria agora), como se viu bem no Porto, quando não teve pejo em ganhar as autárquicas locais contra o que se tinha por impensável, o FCP. E no calor da noite eleitoral, houve sobre a posição do PSD 2 declarações a reter: uma de Poiares Maduro, a lembrar que era muto difícil a Rio falar para o Centro (onde se ganham as eleições), e para a Direita, cuja concentração de votos nele seria essencial (coisa que muitos direitistas, a começar pelas direcções do Chega e da IL, não entenderam. Outra declaração importante foi de Manuela Ferreira Leite, a lembrar os limites ideológicos do PSD, concluindo que quem quiser uma direita mais radical não deve ter lá voz nem lugar. Também é verdade que durante toda a campanha, Rui Rio evitou atacar os partidos da Direita, e se mostrou demasiado condescendente para quem quisesse votar nele.

            Portanto, esto agora arrependidos de com o seu voto terem impedido uma a e Rio). Muitos eleitores do Chega (o partido que irºá explicada a vitória do PS (embora talvez não de forma tão explícita). Tanto mais que o eleitorado não queria mudanças fortes como noutras alturas, em que estaria menos conforme com as acções dos governos vigentes.

            O CDS parecia-me um perdedor natural, dada a atitude do seu líder, que muitos comentadores consideraram excelente: desde o ‘vender-se’ para ministro da Defesa (com o argumento da sua passagem pelo Colégio Militar), até aos ataques numa campanha que foi pela primeira vez mais de debate (imposto por Costa e Rio). Muitos eleitores do Chega (o partido que irá sempre buscar votos a quem quiser votar mais à direita, como antes o CDS, e independentemente do seu líder) e da IL estarão agora arrependidos de com o seu voto terem impedido uma solução governativa mais de direita. Mas agora é tarde. Talvez  se lembrem disso numas próximas eleições (e daí o não se compreender o egoísmo tão exaltante das suas festejadas ‘vitórias’).

            Será que houve católicos a votarem nestes partidos? Talvez nestas eleições não tivesse surgido um único defensor dos seus valores, considerados hoje retrógrados e politicamente incorrectos.

            Quanto aos parceiros da geringonça, ficou de facto a ideia de serem responsáveis, para grande parte do eleitorado, pelo final de uma solução governativa, que até agradaria à maioria. E aquela Catarina Martins, tão cassética e amarelada, é definitivamente difícil de passar.

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