Vinagrete 18.03.26 – Nacionalismo espanhol apoiado por Portugal na Europa

Admito que o apoio de Espanha à candidatura de Mário Centeno à liderança do EuroGrupo fosse feita por troca com a de Portugal à

Guindos apoiado por Portugal no BCE, Público

candidatura de Luís de Guindos a substituir Vítor Constâncio na vice-presidência do BCE (facto, de resto, consumado). E devo dizer que, ideologicamente, nem acho chocante esta aproximação entre o PS português e o PP espanhol. Temos de reconhecer que embora o Executivo de Rajoy, na conversa, sempre tenha apoiado os delírios mais exuberantes de Schauble, na realidade Madrid nunca teve uma política interna tão subserviente da Alemanha como Passos, nem impôs aos espanhóis o tipo de austeridade defendida pelo Executivo nacional do PSD/CDS.

Rajoy, embora responsável primeiro pelo que está a passar-se na Catalunha (ao pretender e conseguir afastar o estatuto autonómico e ter começado por rejeitar um financiamento autonómico que depois se propôs fazer muto pior para o resto de Espanha), pode portanto ter sido disparatado na sua raiva anticatalã (para sorte dos nacionalistas, apesar do que sofrem mais imediatamente os seus líderes nas mãos do autoritarismo nacionalista de Direita e dos pouco inteligentes serviços secretos espanhóis, que conseguem um cada vez maior apoio popular regional, quanto mais são perseguidos por Madrid), e até estou convencido de que foi o principal responsável pela fuga imediata para o independentismo dos sempre moderados (centro-direita) nacionalistas catalães (que nem pretendiam chegar à situação de neutralidade fiscal conseguida pelo País Basco, seguramente por causa do terrorismo da ETA), mostrou-se de resto um conservador

Catalães contra prisão de Puigdemont, UOL

moderado, muto preferível aos radicalismos despropositados de Passos e Portas. Tirando esta prisão de Puigdemont, que só irá certamente reforçar os nacionalistas.

Mas reconheço que Guindos na Europa, tão afeito ao hipernacionalismo espanhol (pior na Direita, mesmo moderada noutras coisas), pode ser muito prejudicial para Portugal. Nos longos anos em que estive na Embaixada de Portugal em Madrid, percebi que o nacionalismo espanhol é, além de exagerado, muito prejudicial a Portugal – por não ser nada nacionalista, e não acreditar em nacionalismos como o dos espanhóis. Lembro-me do horror que era perceber lá que por aqui ninguém concebia aquele tipo de nacionalismo, que assim se ia impondo à vontade. E agora pode ser muito perigoso na UE, sobretudo se o imaginarmos a apoiar claramente os Bancos espanhóis, enquanto aos nossos governantes nunca passará pela cabeça apoiar de tal maneira os portugueses. E quanto à Banca, infelizmente parece estarmos conversados na Europa – mesmo sem necessidade do nacionalismo espanhol.

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