
Fotografia de monterealonline.com
Tornou-se a praia da Marinha Grande (as boas casas eram dos grandes industriais locais, obviamente), de cujo concelho e freguesia faz parte (distrito de Leiria), e de que está a pouquíssima distância por estrada bonita e agradável.
Mas tem uma história muito mais antiga. Segundo os Censos de 2011, residem ali 389 pessoas. Fica totalmente inserido no Pinhal de Leiria, um pouco a sul da foz da Ribeira de Moel.
A praia aqui existente é muito procurada por famílias para descansar e gozar férias durante o período de Verão. Consta que o próprio Álvaro Cunhal, com todo o júbilo e um frissonzinho de quem por lá estava, também ali passava férias clandestinas, antes do 25 de Abril.
A água do mar é fria (digamos, gelada) e normalmente agitada (muitíssimo), mas costuma permitir o banho (com mil cautelas e

Zona do Pinhal, fotografia de avesdeportugal.info
caldos de galinha). Para quem gosta de desporto ao ar livre, existe um campo de ténis, e várias ciclovias. Na praia há um campo de jogos, normalmente com duas redes de vólei.
Existem na terra vários hotéis, restaurantes, cafés e bares para acolher os turistas, bem como dois parques de campismo. E há um cafezito em plena mata, que é o ‘ai jesus’ de quem por lá veraneia.
Como pontos de interesse temos a norte, seguindo a linha da costa, o Penedo da Saudade – elevada falésia cortada a prumo –, junto da qual está o Farol do Penedo da Saudade, depois a Praia da Concha e logo depois a Praia Velha, areal extenso que se prolonga até à Praia do Pedrógão, passando pela Praia da Vieira de Leiria e foz do Rio Lis. Na Praia Velha desagua a ribeira de Moel, com margens pitorescas e densamente arborizadas.

Fotografia de flickr.com
A sul, encontramos as praias de Pedra do Ouro, Polvoeira, Paredes da Vitória e Água de Madeiros (todas pertencentes ao concelho de Alcobaça).
No interior do pinhal, na zona de São Pedro de Moel, existem vários parques de merendas extremamente agradáveis, bem como as famosas “Volta dos Sete” e “Volta dos Cinco” (quilómetros, evidentemente), que são percursos lindíssimos que misturam mar, pinhal e praia, com pura floresta, fontes, ribeiros e riachos.
Alguns autores assinalam o povoamento árabe do local. Provavelmente, também, os fenícios se terão estabelecido na zona da praia, no séc. XIII a. C., como ponto de apoio para as suas viagens a caminho dos países do Norte da Europa. No reinado de D. Fernando, São Pedro de Moel substituiu o velho porto em Paredes, mais ao sul. Mais tarde, como parte integrante do termo de Leiria, entrou nas doações desta cidade feitas à Rainha Santa Isabel. Em 1463, D. Afonso V doou São Pedro de Moel ao Conde de Vila Real. Esta avultada família possuía um

Antiho Casino, fotografia de thelisbonconnection.com
palácio em Leiria e várias casas próprias em São Pedro de Moel. Mantiveram-se nesta praia até 1641, altura em que foram executados (acusados de conjura contra D. João IV, com o arcebispo primaz S. Sebastião Noronha) o último Marquês de Vila Real e o seu filho, o último Duque de Caminha. Nesta altura, a povoação passou a incluir-se nos bens da Casa do Infantado.
Agora a lenda: a Duquesa de Caminha, D. Joana Juliana Maria Máxima de Faro, filha benquista dos Condes de Faro, após enviuvar, chorava diariamente a morte de seu marido num rochedo enorme e imponente desta praia, resultando daqui o seu nome, “Penedo da Saudade”, no cimo do qual se encontra actualmente um farol com o mesmo nome, e em que se afirma ainda ouvir os lamentos da há muito falecida duquesa.
A povoação começou a ser procurada como local de repouso e veraneio a partir do séc. XV porque tinha o mar por perto, muita caça no pinhal, boas hortas e locais frescos com muita água.

Centro da terra, fotografia de mapio.net
Ao casar, em 1902, o poeta Afonso Lopes Vieira e a mulher, Helena Aboim, receberam dos pais deste a bonita casa (anteriormente pertença dos Marqueses de Vila Real, entre outros), mesmo sobre a praia, onde o poeta se inspirava e escrevia, e recebia amigos para tertúlias.
É uma casa de grandes dimensões, com um terraço e um varandim (onde é visível um curioso relógio de sol) que ficam imediatamente acima da praia, e com uma belíssima capela decorada com motivos marítimos, dedicada a Nossa Senhora de Fátima (ele foi o autor do poema da canção ‘A 13 de Maio / na Cova de Iria…’), mandada construir pelo poeta para a sua mulher, inaugurando-a em 12 de Agosto de 1929.
Mais tarde, em 1938, esta casa foi deixada em testamento pelo poeta à Câmara Municipal da Marinha Grande, para funcionar como colónia balnear para filhos de vidreiros e guardas florestais, o que vem a acontecer desde 1949. Agora, a colónia funciona de uma forma mais aberta a todas as crianças do concelho, ou de

Farol, fotografia de vistasimprevistas.blogspot.com
outros concelhos que com o Município da Marinha Grande tenham relação.
Actualmente, o primeiro andar funciona também (apenas durante a “época alta” do verão), como Casa-Museu (dedicada ao poeta), tendo patente uma exposição sobre a vida de Afonso Lopes Vieira, e guardando no seu interior diversos objectos pessoais deste poeta que escreveu grande parte da sua obra em São Pedro de Moel.
São Pedro de Moel teve durante os séculos XVIII e XIX uma serração de madeira, uma fábrica de resinas e vários armazéns em frente ao porto. O auge destas actividades económicas dá-se quando o ministro Martinho de Melo e Castro (1716-95) ordenou que os embarques de madeira do Pinhal do Rei se fizessem pelo porto de São Pedro de Moel, em detrimento dos portos da Figueira da Foz e de São Martinho do Porto. Em 1824, estes edifícios foram extintos em virtude de um incêndio num pinhal contíguo. A importância do porto foi diminuindo à medida que o relevo da costa se foi alterando, até tornar o porto, hoje inexistente, impraticável.
Em finais do século XIX começaram a surgir pedidos para a construção de casas, junto à zona dos antigos armazéns (onde hoje

Piscina, fotografia de cadadoouteiro.com
é a Praça Afonso Lopes Vieira). A administração florestal, liderada por Luciano António Migueis, elaborou em 1860 um “plano das edificações a erigir”. Em 1880 iniciou-se a bela estrada que liga São Pedro de Moel à Marinha Grande.
Já no início do século XX, foi construída a fonte da praça. Em 1911 havia 76 habitantes. Em 1912, ao norte da praia, inaugurou-se o Farol do Penedo da Saudade, que servia não só de aviso à navegação mas também para detectar fogos no Pinhal.
A iluminação pública, feita a partir de candeeiros de petróleo, chegava a este aglomerado em 1922 (o que dá ideia da importância do lugar na época). Toda a área da praia pertencia às Matas Nacionais, mas em 8 de Novembro de 1923 foi entregue à Câmara Municipal da Marinha Grande que a urbanizou e desenvolveu de uma forma controlada, abrindo novas ruas e dotando-a com diversos melhoramentos.

Centro, fotografia do INATEL
Em 1930 inicia-se a construção do Bairro Novo, hoje conhecido como Bairro dos Naturais, primeiro grande passo para o desenvolvimento urbano do lugar.
Em 1931 é inaugurado o “Casino”, único centro recreativo e cultural da povoação, e espaço que serviu de ponto de encontro dos frequentadores da praia, onde se faziam tertúlias, as eleições da Miss Praia, e que chegou até a acolher uma sala de cinema.
Finalmente, em 1936 é instalada a central eléctrica. Em 1947, residiam em São Pedro de Moel 131 habitantes. Em 1955 a capela foi demolida, sendo construída no seu lugar a actual igreja, da autoria do arquitecto Manuel Raposo.
À medida que foi crescendo, São Pedro de Moel foi sendo maioritariamente habitado por pessoas com posses económicas
acima da média, nomeadamente comerciantes abastados, artistas bem sucedidos (os escultores Joaquim Correia e Leopoldo de Almeida), mas principalmente os industriais da Marinha Grande e também alguns Leiria. Outras famílias vieram de sítios mais longínquos, nomeadamente de Lisboa, Coimbra e Santarém, construindo ou comprando casas que utilizavam em férias ou em fins-de-semana.
No final dos anos 60, foi iniciado o processo de construção do complexo de piscinas, para fazer frente também, à perigosidade das águas muito batidas da praia. Para tal, foi demolido o Casino. Na zona da piscina nasceu todo um novo bairro de casas de férias, entre as que se conta a do médico e ex-presidente da Câmara da Golegã, José Maltez.