Vinagrete 16.06.29

E eu que estive quase a votar no louco Juncker…

Fotografia do Observer

Fotografia do Observer

E eu que quis votar no Jean-Claude Juncker!… Pareceu-me um bálsamo à frente da Comissão Europeia, a seguir a Durão Barroso.

Merkel com Tusk, fotografia de zimbio.com

Merkel com Tusk, fotografia de zimbio.com

Afinal, como ele, tudo continua a descer, sempre para baixo, até rebentar. Porque, como disse ontem o próprio Durão Barroso, a situação actual pode mesmo levar à desintegração da União Europeia. É certo que ele culpa apenas o Brexit. Mas quem podia esperar que o homem repentinamente se tivesse tornado perspicaz e passasse a perceber o que o rodeia? O que o irrita é isto: David Cameron «andou 20 anos a atacar a União Europeia». Agora essa de Londres deixar de ser a principal praça de mercados europeia, assim de repente, não lembraria a mais ninguém. O rapaz anda mesmo mal informado.

De repente, até Passos Coelho parece sofisticado ao pé de Barroso. Ele veio dizer ontem que a Inglaterra não deve ser empurrada da UE. Palavras sábias. Claro que só as disse depois de ouvi-las a Merkel.

E chegamos a este ponto: de todos os que mandam na UE, Merkel parece ser a mais calma e a mais assisada.

Fotografia de investing.com

Fotografia de investing.com

O disparatado do Juncker (é certo que já lhe tinha perdido o respeito, quando soube das suas trafulhices fiscais a favor do Luxemburgo, na altura em que foi primeiro-ministro deste País) veio exigir, depois do referendo, que a Inglaterra saia imediatamente da UE. E lá levou na sua histeria actual antibritânica para o Parlamento Europeu. Atitude só comparável aos surtos xenófobos em Inglaterra – obviamente da parte daqueles terríveis hooligans de que temos alguma ideia.

Os ministros dos Estrangeiros dos 6 países fundadores da CEE (porque caraças se hão-de reunir apenas estes 6?) secundaram-no.

Markel, mais avisada, convocou para uma reunião em Berlim o inevitável Hollande, mais o italiano Renzi, mais o presidente do Conselho Europeu e primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk. Dois socialistas (eixo franco-italiano) e dois democratas-cristãos (Berlim-varsóvia). Pode parecer estranho Juncker não ter sido convocado. Mas a avaliar pelos seus últimos disparates, até se revelou útil e avisado.

Fundadores da UE, fotografia do Globo

Fundadores da UE, fotografia do Globo

Também poderíamos questionar este pequeno grupo – e questionamo-lo em nome da democracia. Tanto como o outro, o dos 6 fundadores. De qualquer modo, disseram coisas mais razoáveis: Renzi chegou a perguntar se não é possível agir como se não tivesse havido referendo no Reino Unido. E Merkel pôs um ponto final realista no assunto, dizendo que a Inglaterra sairá sem pressas (e lá veio Passos ecoá-la, só depois de a ouvir).

A Inglaterra era uma aliada contra as posições mais fechadas de Bruxelas. Quem as defendia, até não devia gostar dela (e muitos só gostam por achar de bom tom ser de direita e contra o Brexit). Merkel, que não é tão reacionária como parece (os alemães ganham bem, têm muitos feriados e as grandes empresas exigem representantes de trabalhadores nas administrações, em cogestão), gosta de Inglaterra para a ajudar a fazer frente à extrema-direita alemã. E Juncker, finalmente, é simplesmente tonto (e tão tonto, que foi repescar o castigo a Passos Coelho, que já não está no Governo, e a Rajoy, que ainda está, sem perceber que só dificulta a vida à UE). Já repararam que a Bolsa londrina nem foi das mais prejudicadas pelos Brexit? Porque será?

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