Vinagrete 22.12.14 – Paulo e Jerónimo

Não restam agora muitas dívidas de que Paulo Raimundo não devia ser o sucessor ambicionado por Jerónimo de Sousa. Terá sido antes um dos seus grandes delatores? Uma coisa é certa: nas reportagens de há algum tempo, quando Paulo Raimundo já aparecia ao lado de Jerónimo, certamente na preparação para líder, este pouco parecia ligar-lhe. No entanto, alguns dos que sabem am em voltar. olas que saíram, agora é que pensam em voltar,  correspondendo ao convite que lhes foi endereçado por Raimundo, na sua ânsia de estancar a descida eleitoral do Partido. E um diário dizia que este ‘ortodoxo’ está a ‘suavizar a ortodoxia do PCP’. Pessoalmente, não me parece.

            Nunca o saberemos com certeza dado o secretismo pouco democrático das decisões do PCP. Uma coisa parece certa: alguns ratos do costume apressam-se a abandonar Jerónimo, mesmo quando dizem sentir-se aliviados por já não se falar tanto neles. E o Partido continua a tomar decisões colectivas – o que lhe assegura uma maior democracia, e uma menor importância do secretário-geral.

            Estou convencido de que ninguém conseguirá os scores eleitorais de Jerónimo, que sempre levou o PCP a comprometer-se um pouco mais com o Governo e a fazer políticas de esquerda. Agora, Albano voltará a ver no PS o principal inimigo, e a abandonar os seus eleitores.

            Jerónimo de Sousa gostava muito de falar em anexins populares, sempre sem ser ofensivo para ninguém; o seu assessor, com aquela do ‘esperarem sentados’, mostra que não tem a mesma sensibilidade do antecessor para os anexins populares; ou será que pensará que a malta do PCP é mais afeita ao seu estilo, de puxar para baixo? Também andou por aí muita gente a dizer que o PCP mudou entretanto a posição relativamente à Guerra da Ucrânia, só por Raimundo agora surgir a afirmar que Putin lhe parece um cão acirrado. Pois Putin e Paulo Raimundo parecerão ambos cães acirrados, mas o PCP continua a ver nas tropas imperialistas e invasoras, a par de Moscovo (como inexplicavelmente o fazia Jerónimo de Sousa), todo o Ocidente. E não distingue ainda bem quem é o invasor?

            De qualquer modo, um ex-sindicalista com pena de não ter sido operário devia por começar dentro do partido, com os funcionários tão mal pagos, as reivindicações salariais. Nunca mais vamos acreditar no PCP nesse aspecto, depois do novo secretário-geral. Mas, segundo as palavras que lhe ouvimos esta semana, ele valoriza mais a luta sindical e de rua do que a parlamentar. E lá temos de esperar que o partido acabe, na sua actual irrelevância, como é natural que aconteça.

            A empatia geral de Jerónimo viu-se bem na forma como foi aplaudido na AR (quem não o quis aplaudir da mesma forma não conta, e nunca será aplaudido como outros deputados), e que se veria igualmente no País. Eu daqui também o aplaudo muito, apesar de não pensar nunca votar no PCP.

            Talvez o seu grande problema, como dizia Francisco Lucas Pires de si próprio, seja esse: ser muito declaradamente apreciado por gente que nunca votará nele.

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