Vinagrete 22.07.05 – Montenegro coroado

PS e PSD só estão preparados para serem partidos de Poder. Não sabem estar na Oposição, essa coisa normal da democracia (que ambos defendem honestamente à ultrance, pelo menos nas suas elites dirigentes).

            Só assim se compreende a irritação geral com Rio, pouco depois de ser igualmente coroado na maior.

            Mas Montenegro, para além destes partidários sociais-democratas que tanto se irritam por terem de aturar um governo do PS (apesar de PS e PSD fazerem quase as mesmas políticas), não parece ainda pessoa capaz de levar o PSD ao Poder. Limitou-se a ser coroado no partido, da mesma forma que tinha sido Rio, ainda que com mais votos pessoais do que a segunda vez do seu antecessor. A não ser que tenha a sorte de Barroso e Passos, e veja o governo cair-lhe ao colo, por algum problema grande com o actual.

            Se assim for, poderá vir a beneficiar, como já o fez Passos, Barroso e Aznar (recorde-se que em 1996 se González – o tal que se recusou a formar um novo Executivo – quisesse ainda formaria Governo com o apoio que lhe foi declarado pelos partidos nacionalistas, e só no Poder Aznar veio a ser indiscutível mostrando mais uma vez onde está o desgaste), para só dar alguns exemplos mais próximos, dessa ideia de que a Oposição, em circunstâncias normais, desgasta mais do que o Poder. E Costa parece estar a querer deixar S. Bento.

            Não acredito muito, mas pode ser que Montenegro lá chegue. Se conseguir ultrapassar os tempos de Oposição, ou estes acabarem por ficar mais curtos.

            É certo que Montenegro, para lá da coroação duvidosa, ainda fez um bom discurso, com propostas claras para o Governo. Mas também não acho um sinal de força (sobretudo, comparando-o com os 2 homens-fortes do PSD, Sá Carneiro e Cavaco Silva, este talvez o melhor e mais à esquerda primeiro-ministro que Portugal teve em toda a sua existência) o chamar de todos os cabeças de tendências, actuais e previsivelmente futuras, para a sua equipa. Será mais um sinal de fraqueza. Chama-se o que há a chamar, sem o motivo apontado.

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