Vinagrete 21.01.26 – Resultados eleitorais

Houve coisas que já ouvi dizer bem, e que naturalmente não mereceriam ser repetidas: por exemplo, que o líder do CDS se deveria dar por derrotado, e calar-se envergonhado pela forma como está a contribuir para o fim de um partido fundador da democracia; ou que Rui Rio está desfasado, ao pensar que Costa foi derrotado nestas eleições, e que o PS agora foi o único partido a não ter nenhum candidato (esquecendo que Cavaco fez o mesmo com Soares, quando o PSD estava bem melhor, e Mário Soares era mais claramente anti-Cavaco).

Marcelo na noite eleitoral, DN.

Ouvi coias com que não concordo: como, por exemplo, que Ventura não foi buscar directamente votos ao PCP, quando teve as melhores votações onde o PCP costumava tê-las, e agora não as teve, e até contrariando estudos de opinião nesse sentido. É evidente que, embora o partido de Ventura tenha sido um dos vencedores destas eleições, a maioria do seu eleitorado, embora da ‘lowest middle class’ (como gostava de dizer um intelectual conhecido de todos, muito afecto os anglicismos, e que já nos deixou) tem vergonha de estar ali. E já vimos em Portugal partidos aparecerem ainda mais fortes e sérios, como o PRD, e depois desaparecerem. Claro que não tinham podido gozar de um líder tão disparatado e mentiroso, mas isso é das coisas que não parece importar muito em lugar nenhum do mundo a este ripo de eleitorado, que ninguém de gosto mínimo apreciaria ter ao seu lado. Mas trata-se de gente que precisa das suas socas.

Finalmente, ninguém pode pôr em causa a vitória folgada de Marcelo, e como ele já demonstrou bem, ninguém pode atrever-se a imaginar o que ele fará – porque a sua imaginação é própria e fértil, e já se viu que é muito original nas suas opções. Se não, eu também seria levado a pensar que iria agora favorecer agora o PSD, tão pouco favorecido pelas estrelas, apesar de eu apreciar o actual líder quando não de entretém a dizer asneiras (sempre inferiores às do seu antecessor, tão enganado de partido).

A esquerda teve de facto poucos votos neste acto eleitoral. Mas Costa deve andar radiante com o resultado, e a direita para já enfrenta problemas maiores. É manifestamente cedo para dá-lo por vencido. Apesar de os Centros coincidirem em muitas coisas.

Em Marisa, talvez se tenha reflectido a opção negativista do BE, e podemos pensar assim do BE.

Mayan lá conseguiu dobrar o partido. Mas o único que tem de se pôr a pau é Figueiredo. O Pais continuará no seu rame-rame, sem ter reparado na onda do liberalismo.

O candidato do PCOP lá fez o que pôde para manter uma proposta política completamente fora de moda e de tom. O vencedor será o mais simpático que o PCP tem, ou seja, Jerónimo de Sousa.

E Ana Gomes, depois de cumprir o papel de manter mais pequeno o Chega, não sei se terá outro. Afinal, a sua votação foi bem pequena, e nem me perece que fosse muito maior com o apoio de Costa. Cada um dá para o que dá. E ela não é obviamente o Manuel Alegre do PS, que de resto ainda lá está, agora quieto.

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