Vinagrete 20.11.09 – Emergências…

Temos o azar de, aparentemente, Governo e Presidente da República estarem de tal maneira dependentes da opinião pública e das sondagens, que mesmo relativamente a uma questão tão importante como a Saúde Pública, a propósito do Covid 19, não se atrevem a tomar medidas radicais de confinamento, sem terem a certeza de que o povo bem unido os apoia. Não querem ninguém contrariado. Mesmo assim, estamos conscientes de que é a estas autoridades que compete comandar a ‘guerra’, e não a quem se põe em bicos de pés, concordando em que nisto, como em quase tudo, ‘cada cabeça sua sentença’. Estou a pensar nos disparates que disse Catarina Martins, certamente ainda ‘apanhada’ pelos disparates do BE no OE21.

Final de Conselho de Ministros Extraordinário de sábado, Publico

O Covid 19 tornou-se realmente demasiado politizado, e até ideologizado, quase por todo o lado. Neste cegueira das pessoas, não é de esperar nenhuma decisão assisada. Por um lado temos a extrema direita e esquerdas radicais ou extremas; por outro lado, os mais centristas e habitualmente sensatos – conservadores ou de esquerda. Por mim, costumo dar atenção ao que diz o Dr. Silva Graça na RTP, ao mesmo tempo que evito ouvir a Dra. Graça Freitas (tão desacreditadinha que ela está!…). Tirando isso, o Governo parece ir pelas soluções mais baratas, o que explicaria aceitar idas aos centros comerciais fechados, e proibir feiras abertas em que os protagonistas nem sequer têm segurança social – no que houve natural e obrigatório recuo.

O que me parece é que a UE não tem sido avisada em quase nada, e estamos a seguir cegamente as suas orientações também nisto. Portanto, em rigor, as decisões nacionais são mínimas, e as europeias (como bem se nota por essa Europa fora) máximas.

Mas a vantagem da democracia, para além de ser poder dizer mal do Executivo (só nisso o actual Regime é bastante melhor do que o anterior, e a maior parte das pessoas que dele dizem mal, por apoiarem uma situação de Ditadura como a que se viveu já em Portugal, deviam ao menos abster-se de falar publicamente, até para serem coerentes com o seu pensamento), a grande vantagem é precisamente a dos seus dirigentes defenderem convicções, e serem afastados quando tais convicções não têm o apoio da população, e nunca o contrário. Se não, talvez a democracia não valha a pena, por depender de dirigentes horríveis. Isto não significa, evidentemente, que o povo tenha sempre razão quando vota (senão não tínhamos o imbróglio actual nos EUA nem haveríamos suportado um sargento-fuhrer Hitler eleitos pelos votos populares).

As medidas anteriores do Governo, as tais que não tiveram efeitos, como já o Dr. Silva Graça tinha previsto na RTP, acentuando entre outras coisas, a revolta dos que eram atingidos por elas, e viam ao lado quem não fosse. Agora veremos no que dará o recolher obrigatório à noite nos 121 concelhos mais problemáticos (os do fim-de-semana, demasiado rígidos, não tiveram em conta sequer a necessidade de ir à missas, na sua habitual falta de previsão e amadorismo, pelo que podem ainda ser revertidos – estas reversões são uma das vantagens do Governo), que foi a medida principal saída do Conselho de Ministros Especial de sábado passado.

Já se sabe que, numa Pandemia, cada cabeça sua sentença. Por isso precisamos ainda mais de boas autoridades políticas, que consigam impor-se a todas estras sentenças (que são especialmente más vindas de ‘especialistas’ que gostam de ser originais, e não se preocupam por isso com a realidade). E de estarem até dispostas a perderem eleições, em vez de procurarem consensos junto de quem não tem como prioridade a pandemia.

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