Vinagrete 17.10.19 – Os moderados encalacrados mas vitoriosos?

Em Espanha, na questão catalã, os moderados pareciam estar a impor as suas ideias, mesmo perante a contestação ou a mal escondida irritação dos mais radicais (Rajoy, do PP, e Albert Rivera, do Ciudanos, por um lado, e a esquerda radical catalã – CUP, ERC

Independentistas catalães, Wikipédia

etc. –, por outro lado). E os moderados são, por um lado, Carles Puigdemont, da Convengência y Unió, que engloba os nacionalistas catalães, e por outro lado, o PSOE. São estes que estão a impor a negociação, que parece ser defendida por muita gente, mas não por muitos espanhóis nem portugueses.

Aos espanhóis parece mais simples o ‘pão, pão, queijo, queijo’. Puigdemont certamente, com a sua atitude conciliatória, isola-se de muitos apoiantes da independência catalã. No entanto, ele pertence aos nacionalistas catalães, um grupo que inclui a alta burguesia regional, e que não aprecia convulsões. Por sua vez, os ‘nacionais’ Rajoy e Rivera têm sido vencidos pelo tom conciliatório do PSOE.

Será que este ambiente de conciliação vai vingar até ao fim, quando os radicais de ambos os lados (Os ‘nacionais’ na Espanha não catalã, e os independentistas radicais na Catalunha) esperam tirar benefícios eleitoralistas e populistas do seu radicalismo? Veremos.

Espaholistas catalães, Visão

Para já vimos como a porta-voz do Executivo (e nem falo do porta-voz propriamente dito, Iñigo Mendez de Vigo, que não interessa muito para esta história, mas sim da ministra da Presidência Maria Soraya Sáenz de Santamaría, que tanto tem falado em nome de Rajoy) apareceu na TV tão irritada com a conciliação e o diálogo como Albert Rivera do Ciudadanos.

Para já os radicais espanholistas marcaram um ponto a seu favor, com a prisão (afirmação colonialista castelhana) de 2 independentistas, o presidente da Asambleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sànchez, e a de Jordi Cuixart. Os ‘Jordis’ mártires, como são já designados. Ambos membros do Governo catalão, de Junts pel Sí e da CUP (partido mais radical).

Puigdemont, que se bate por um diálogo com Madrid, fica cada vez mais isolado, e à beira da demissão. No entanto parece ser isso que quer o PP. Verdadeiros radicais, mais parecidos consigo, que tornem o diálogo impossível para todos.

No entanto, o PSOE já impôs a revisão da Constituição, provavelmente a primeira que se faz desse a sua aprovação, para acabar de vez com os empecilhos jurídicos a uma questão política. O PP, na sua ânsia cega de radicalismo, vai acabar por ficar como não queria: só com saudades de Francos e da miséria em que a Espanha vivia nessa altura, mas sem o fraquismo miserável que nem os castelhanos já querem (e por isso a insistência em terem catalães a trabalharem por eles). Em número de manifestantes na rua, parecem ter ganho os pró-independentistas catalães (cerca de 2 milhões) contra os espanholistas catalães (400 mil a 1 milhão).

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