Vinagrete 17.08.18 – Os extremistas na Venezuela

Confrontos na Venezuela, BBC

É fácil odiarmos Nicolás Maduro na Venezuela, e apoiarmos democraticamente os seus opositores. Mas percebe-se que naquele extremar de posições, só sobressaem os extremistas, dos dois lados.

Estive agora a ler sobre a Guerra Civil de Espanha. Segundo um historiador inglês com fana de conservador, Hugh Thomas, considerado o grande especialista no assunto, os posteriormente chamados nacionalistas, e que ganharam a Guerra, foram os que mais execuções fizeram. Franco, que nem sequer era católico (embora casasse com uma católica durante a Guerra, Carmen Pólo), passou depois por ser um defensor da democracia. No entanto, o então Papa Pio XI, nunca o apoiou contra a República. De resto, parece terem desaparecido alguns padres que questionavam o excesso de execuções sem julgamento do lado dos tais posteriores auto-chamados nacionalistas. Diz Thomas, que Franco, já no fim da Guerra, quando se convenceu de que a ia ganhar mesmo (parece terem sido essenciais para esse resultado os alemães da Divisão Condor – onde embora usassem fardamento espanhol, para disfarçarem, não deixavam entrar um único espanhol – mais a sua aviação, e os italianos; parece que o ministro dos Negócios Estrangeiros nazi e alemão, Ribbentrop, até chamava ‘Comissão de Intervenção’ à ‘Comissão de Não Intervenção’ tão defendida pelos ingleses, e que se limitou a contrariar o apoio externo aos republicanos), tentou não executar tanta gente, para conseguir ficar com população.

Guerra Civil de Espanha, Wikipédia

Não digo que do lado da República não tivessem havido excessos: mas lá está, foram dos extremistas anarquistas (que evitaram o golpe de Estado e obrigaram à Guerra pelo pouco apoio aos ditos nacionalistas) e comunistas (estes mais para o final do conflito). Claro que os anarquistas também mataram padres a torto e a direito, invadindo igrejas de terras alheias, talvez até mais do que os franquistas, embora estes últimos ceifassem mais o chamado povo de Deus. Os mais moderados, e que eram eleitos, ficaram de fora dos extremismos, e acabaram por perder em toda a linha. Talvez perdessem a democracia, mesmo se a República ganhasse.

É o que me parece estar a acontecer hoje na Venezuela. Só assim se compreende haver ainda tantos apoiantes de Maduro – o qual é obviamente incapaz de ter o carisma do antecessor.

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