Vinagrete 17.06.26 – Jornalistas cobardes

Incêndios nacionais, fotografia de noticiasaominuto.com

Devo dizer que aprendi a fazer jornalismo, sendo estudante de Direito, ainda antes de haver escolas específicas em Portugal, com 3 pessoas fundamentais: Marcelo Rebelo de Sousa, que me admitiu no Expresso, e era amigo de um amigo comum; Francisco Balsemão, proprietário do Expresso, e pessoa que tinha o jornalismo a ferver-lhe nas veias; e Vicente Jorge Silva, o meu primeiro chefe directo no Expresso. Talvez acabasse por ficar mais identificado com o último, profissionalmente, mas com as bases dadas também pelos outros.

Parece que uma pessoa no espanhol El Mundo veio escrever a Portugal, sobre a tragédia que por cá se passou, e em vez de contar o que viu, escondeu-se num pseudónimo desconhecido para exigir a demissão do chefe do Governo. Como se este fosse responsável, como por exemplo a inglesa Theresa May relativamente aos revestimentos do prédio de refugiados que ardeu e matou cruelmente 70 e tal pessoas. Por alguma razão Theresa May não pode aparecer sozinha na rua, sem ser insultada; e António Costa consegue. E a Rainha não segurou May em público, mas o Presidente segurou Costa.

Prédio a arder em Londres, fotografia da buzztimes.pt

Não quero com isto dizer que não se deva investigar responsabilidades sobre o escândalo do SIRESP (mesmo que não tenha sido responsável por nenhuma morte): basta saber que custou cerca de 80 milhões de euros, foi vendido ao Estado por 480 milhões (depois de Costa, quando ministro da Administração Interna, ter forçado uma descida no preço); basta saber também que um secretário de Estado do tempo de Passos Coelho quis voltar a diminuir-lhe o preço, mas Passos não o deixou; basta saber ainda que foi vendido pela aldrabona Sociedade Lusa de Negócios, do BPN de Oliveira e Costa e Dias Loureiro, e foi comprado por ordem de um tal Daniel Sanches, ex-administrador da SLN e na altura ministro da Administração Interna em funções, e de saída. Chega? É tudo suficiente, e tudo implica demasiado PS e PSD para o meu gosto, dá para torcermos o nariz, e sabermos porque é que o PS não acabou com um negocio destes do PSD. Tanto mais que quando foi preciso o SIRESP funcionar, agora e no ano passado, não funcionou. E bem sei que o programa europeu de satélites Gallleu também é seu sócio. Até convinha.

De resto, gostaria de saudar um artigo do centrista José Ribeiro e Castro hoje no Público, em que diz não concordar com os tipos de claques futebolísticas, que ou gostariam de ver ‘Passos a arder’, ou então ‘Costa a arder’. Não é isso. É tentar perceber tecnicamente as coisas, para além da enervante política do centrão (PS-PSD-CDS, desde que este partido voltou a deixar de ser anti-europeu).

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