Quando oiço falar em referendo da eutanásia fico perplexo. Eu, que sempre vi com maus olhos as formas mais directas de suposta democracia, e que sempre associei os referendos de grandes temas à extrema-direita autoritária e pouco democrática (prefiro os referendos para coisas comezinhas do dia a dia, sobretudo de carácter autárquico, um pouco à suíça), parece-me este assunto demasiado sério para isso.
De resto, esta é uma daquelas questões em que não tenho opinião, e sinto que devo ouvir as dos outros (embora me macem os que, por estarem mal informados, ou de má fé, sejam demasiado assertivos).

Fotografia da Agência Ecclesia
Recordo uma pessoa dizer, quando via uma vítima de AVC muito diminuída, que não a deixassem assim, e muito menos em casa. Pois quando ela própria foi vítima de AVC, e ficou bastante diminuída, já não queria ouvir falar em sair de casa, e menos ainda em mortes antecipadas.
Também recordo uma data de gente cordata e

Fotografia de protestantedigital.com
muito católica que se recusou a tratar de cancros redissivos, preferindo ver a morte aproximar-se certa e mais cedo. Bem sei que isto não é a clássica eutanásia, mas não anda longe, e impressiona-me.
Também lembro um tio afoito, que tirou um curso de saltos em paraquedas já numa idade avançada, e retido na cama, sem conseguir mexer-se, com um cancro violento, pedia por tudo que lhe acabassem com a vida.

Parlamento debate eutanásia, fotografia do DN
Também não esqueço que quem não matar aninais em grande sofrimento terminal é considerado de mau carácter.
E com tudo isto, não tenho ideias feitas nem definitivas sobre o assunto. Limito-me a estar impressionado e sedento das ideias ponderadas e moderadas dos outros que as tenham. Não me apetece ver aqui misturada nenhuma ideologia. E sei que tendo, na dúvida, a preferir que não se faça nada. Uma vida afinal vale muito. E para já, prefiro ver aprovadas formas de melhorar qualquer vida, em qualquer estado. Talvez seja também o meu lado católico. Mas, insisto, não tenho sobre a matéria ideias definitivas. Nem reconheço os fundamentalistas como católicos.