Vinagrete 16.12.31 – A nova bíblia é que é a velha e original

Pe. Tolentino de Mendonça, fotografia da Pastoral Cultural

Pe. Tolentino de Mendonça, fotografia da Pastoral Cultural

Tenho acompanhado na Imprensa uma querela por causa desta nova e premiadíssima tradução da Bíblia do grego para português, de Frederico Lourenço. Pessoas como o conservador sacerdote Portocarrero Almada, censuraram-na. Mas a maioria dos seus leitores, com o Padre Tolentino de Mendonça à cabeça (e este tem a vantagem neste aspecto de pertencer ao departamento de Cultura do Vaticano e de não pertencer a uma ordem

Um homem da Cultura, fotografia do Jornal da Madeira

Um homem da Cultura, fotografia do Jornal da Madeira

como a Opus, de P. Almada, que tem um índex a proibir leituras aos seus membros que ficam deliberadamente ignorantes), enalteceram-na, quer em artigos específicos (no Expresso), que em entrevistas gerais (por outros lados).

No grupo dos enaltecedores, dei também com o Padre e académico (como Tolentino) Anselmo Borges, que me ensinou algumas coisas no DN, como a atitude do Papa Clemente XI, em 1713, contra a leitura da Bíblia pelos católicos. Recentemente, terá sido o papa Pio XII que aceitou a leitura da Bíblia pelos católicos, desde que

Junto do cardeal Policarpo, fotografia da Agência Ecclesia

Junto do cardeal Policarpo, fotografia da Agência Ecclesia

se restringissem a versões oficiais e com o necessário ‘Imprimatur’ oficial católico (?). Depois do Vaticano II, e certamente devido a ele, já sem os ‘imprimatures’ em vigor (situação que parece não se ter estendido à Opus, e deixa os seus padres em desvantagem até cultural, o que explicará a posição de Portocarrero Almada), Paulo VI aceitou a leitura da Bíblia pelos católicos.

E agora vem esta nova tradução directa do grego, que certamente contrariará em muito as versões oficiais católicas feitas a partir da tradução para latim de São Jerónimo, vem ela, dizia eu, desinquietar as almas sensíveis que negam o essencial do cristianismo (a inquietação e a falta de certezas), mas que se dizem cristãs e católicas. Chega-se a dizer que a tradução do grego será sempre falaciosa, porque devia ser do aramaico. Quando, na realidade, todo o novo testamento surgiu em grego (provavelmente pouco culto, e muito aramaiquizado, o que só facilitará a tradução). De qualquer maneira, nenhum padre deveria temer as

Pe. P.Almada, fotografia de Cidadãos por Abrantes

Pe. P.Almada, fotografia de Cidadãos por Abrantes

revelações da palavra de Jesus Cristo, que justificam a sua religião antes de tudo o mais (incluindo as tradições que tanto adoram).

Anselmo Borges, no DN, adiantou isto: «Ernst Bloch, marxista heterodoxo e ateu religioso, , ainda na antiga República Democrática Alemã, diizia nas suas aulas, para escândalo do governo comunista, que os nazis, ao recusarem a Bíblia, já não puderam compreender a cultura alemã». O próprio Anselmo Borges de resto admite que, por não terem lido a Bíblia muitos portugueses, Portugal poderá ter ficado bem mais atrasado.

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