Vinagrete 16.06.13

Festas meia-coisa de Lisboa

 

Fotografia de expressodooriente.com

Fotografia de expressodooriente.com

Ontem dei comigo a ver as Marchas de Lisboa na TV, e constatei a confirmação de uma ideia que já me tinham dado: não se trata já de festas populares, mas daquilo a que a minha mulher, Assunção Cabral, chamaria ‘meia-coisa’. Ou seja: uma coisa de classe média petit bourgeois, um nadinha acima (mas não melhor) da lowest middle class de que falava Vasco Graça Moura.

Abstenho-me de comentar os apresentadores da TV (RTP1), que suponho serem muito populares (coisa que eu não sou e de que nem sequer gosto muito). Mas ainda assim preferia de longe as festas populares de Lisboa, no Stº António, a esta meia-coisa demasiado apossidonada. É que o verdadeiramente popular era mais autêntico.

Começa logo pela música: naquele tom de Marcha Popular, o meu primeiro prémio não iria para nenhuma das Marchas propriamente ditas, mas para o anúncio da lotaria de Stº António que penso ser da responsabilidade da Misericórdia, e que passou na RTP no meio do desfile das Marchas. Para o Ano, os organizadores das Marchas, se querem uma boa marcha musical, já sabem: é encomendá-la aos autores desta Música-Marcha, a do anúncio da lotaria de Stº António. Talvez seja um pouquinho mais caro, mas seguramente muito mais criativo e talentoso, capaz de entregar uma obra de jeito.

Vejamos agora a coreografia das Marchas. Talvez alentados pelos critérios do júri dos o de ﷽﷽﷽﷽﷽civis. Parece haver a intenç Este ano, por exemplo, foram 15 catºote, os meus filhos na da conversa ridntúltimos anos, os organizadores das Marchas apresentam umas coreografias feéricas, nada populares, todas meia-coisa e classe média (devem ter uns coreógrafos à medida), que poderiam passar muito melhor no sandrónomo do Carnaval do Rio de Janeiro. E depois todas iguais. Parece que uma delas ganhou. O júri deve ter razões que a razão desconhece.

Mas o pior eram os padrinhos. Sem querer ofender os da igualdade de género, devo reconhecer que a maioria dos padrinhos homens nem esteve muito mal, deixando a despesa da conversa ridícula às suas pares femininas. Quando digo a maioria, não digo a totalidade. Já elas multiplicavam-se naquelas banalidades tipo miss, ou tipo playboy (revista), numa retórica imparável de patetices que eu teria vergonha de ouvir em minha casa. Definitivamente, os meus filhos não foram educados para esta popularidade.

E agora o St. António. Ele é santo, da Igreja católica, foi até frade franciscano, e portanto as festas têm origem e cunho muito católicos. Já lá vai o tempo em que a Câmara religiosamente promovia rezas públicas e distribuía os bodos aos pobres. Mas isso parece ser agora inconveniente pelos ares dos tempos. Os pobres passaram a chamar-se excluídos – com a intenção deliberada de os excluir mesmo, talvez escondendo-os.

Os casamentos de Stº António surgiram nos anos 30, foram institucionalizados nos anos 50 (sempre do Século passado), e retomados em 1997. Havia até a colaboração da Igreja, e realizavam-se na Sé. Mas agora, embora pretendam manter o nome do Santo casamenteiro (lá está, o Stº António), nem todos querem ser católicos. Este ano, por exemplo, foram 11 católicos e 5 civis. Parece haver a intenção muito chula de não deixar escapar os presentes todos dados aos noivos de Stº. António, mas sem se chegar ao ponto de santificar as relações. Este ano, para a coisa parecer realmente politicamente correcta, até está previsto um arraial LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros), a única malta que hoje em dia tem direito ao orgulho público do seu semi-género – e assim escandalizar oi pobre do Santo, lá na tumba em que parece não conseguir repousar em paz.

Definitivamente, estas festas já não devem reunir apenas os Bairros Populares, mas todos os outros, cheios de gente meia-coisa. A única coisa ainda popular em Lisboa é um certo sotaque, que já vai aparecendo por todos os bairros (incluindo Lapa, Restelo, Avenidas Novas, Areeiro, etc.).

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s