Vinagrete 16.06.04

O que são lojas históricas

Loja dita histórica, fotografia do Público

Loja dita histórica, fotografia do Público

A Associação Nacional de Proprietários (de prédios, suponho) propôs que as lojas históricas se instalem em edifícios das Câmaras Municipais, e não usufruam de apoios forçados de outros privados. Como contribuinte, não estou de acordo com ele, porque não quero ser eu a pagar pelas lojas históricas. Mas como pessoa de alguma lucidez, tenho de concordar que os proprietários de prédios não queiram ficar com a obrigação de serem eles a sustentar as tais lojas históricas, sem as poderem remover das suas propriedades.

De resto, um dirigente da Associação Nacional de Proprietários, António Frias Marques, ouvido na Assembleia da República sobre a matéria (e mais concretamente sobre novas disposições legais com que o PS pretende sobrecarregar os proprietários e deixar na inconsciência empresarial os donos das tais lojas históricas), usando até uma linguagem irónica, acabou por dizer o que se repararmos bem é inquestionável: ninguém sabe exactamente o que são lojas históricas, pelo que se teme a forma como tal estatuto seja adquirido.

Para o caso nem devia interessar muito. Apenas que, históricas ou não, as lojas deviam gerar lucros por si para existirem, sem sobrecarregarem os proprietários de prédios ou os contribuintes. Mas infelizmente já se percebeu que os negócios em Portugal (desde os colégios privados aos hospitais também privados, passando pelas lojas históricas) não confiam nada na iniciativa privada e na sua capacidade para gerar lucros, preferindo encostar-se ao Estado e aos contribuintes (enquanto o Estado, por vezes, para se safar de responsabilidades, como acontece agora com as lojas históricas, tende a atirar as obrigações para outras pessoas sem culpa formada).

Claro que o investimento em prédios para alugar, com estas medidas, é cada vez menos interessante, o que acaba por se fazer sentir dolorosamente pelas pessoas que querem alugar casas. E cá temos o que é uma loja histórica: um estabelecimento, apreciado para lavar a vista, mas não para fazer compras, e que pretende subsistir à custa de terceiros. E lá me lembro do amigo que me dizia ser proprietário da loja de Lisboa que mais admiro – porque era realmente proprietário do prédio em que está instalada, mas não lhe pode cobrar uma renda justa. E a loja lá se vai dando ao luxo de existir, muito pujante, e sem despesas de instalação.

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