Vinagrete 16.05.27

Está aí a extrema-direita

Fotografia de ilovealfama.com

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Foi por um triz, e a Europa respirou de alívio. Afinal, depois de contados os votos por correspondência, quem ganhou as presidenciais austríacas não foi o candidato da extrema-direita (comoindicava a contagem anterior aos votos por correspondência uma percentagem significativa do total), mas o dos Verdes (que saiu em tempos do Partido Social-Democrata, um dos estruturantes do actual Poder da UE, mas que se viu eleitoralmente varrido, tanto como o do centro direita), agora apoiado por todos os partidos do sistema, mesmo o mais desacreditados junto dos eleitores.

A vitória de Alexander van Belle, 72 anos, embora por escassa margem, é um sinal – e só relativamente positivo.

Não por acaso, dirigentes do FPÖ (extrema-direita), embora desiludidos com a derrota, apressaram-se a deixar claro ter-se tratado apenas de uma etapa num caminho longo cuja meta antevêem cada vez mais próxima. Van Belle, o vencedor, repetiu, tal como o fizera numa campanha eleitoral durante a qual nunca cedeu à tentação populista, pretender representar o país em toda a sua diversidade.

E repare-se que o avanço da extrema-direita não se dá apenas na Áustria. Há ainda a Liga Norte, em Itália (que além do seu poder eleitoral, já esteve coligada com o ex-primeiro-ministro Berlusconi), a Frente Nacional em França, ou a Alternative für Deutschland na Alemanha. E também a deriva autoritária na Hungria e na Polónia. E é preciso estar atento ao progresso das forças de extrema-direita na Holanda, na Finlândia ou na Dinamarca.

Não esqueçamos entretanto a rejeição, pelo eleitorado norte-americano (ou grande parte dele), dos candidatos do Regime – de que só sobra Hillary Clinton. Nem a aventura perigosa em que se meteram os brasileiros, hoje entregues perante o olhar natural do mundo a meia dúzia de corruptos assumidos (parece esperar-se que estes se contentem em roubar, e não queiram ir além disso, embora estejam também já a cair um a um, junto de outras forças judiciais opostas às que varreram Dilma).

Será que, sem os poderes europeus constituídos o entenderem, os eleitorados anseiam por uma situação xenófoba, racista e distante dos caminhos de solidariedade que ajudaram a construir a imagem, porventura mítica, de um Ocidente onde grande tem sido o combate democrático e o esforço para que imperem os valores da tolerância, no respeito pela diferença?

Entretanto, a imprensa, mesmo a democrata, sempre fascinada com todos os fenómenos esquisitos, atira-se aos perfis dos candidatos de extrema-direita, a começar agora pelo austríaco Norbert Hofer, 45 anos, dando-lhes uma enorme ajuda (mesmo que involuntária, porque muitos jornalistas deixam-se embarcar sem repararem em situações involuntárias, e menos ainda percebê-las. Como se houvesse uma tecnocracia jornalística a funcionar como verdade única).

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