Vinagrete 16.05.24

O alinhamento mas medido e com conta

Manfred Weber, fotografia de eppgroup.eu

Manfred Weber, fotografia de eppgroup.eu

Rui Tavares, no Público, notou como Manfred Weber, presidente do maior grupo parlamentar europeu, o do Partido Popular Europeu, escreveu uma carta à Comissão Europeia a pedir multas contra Portugal e Espanha por causa dos seus défices. E, mal viu protestarem os seus afiliados português e espanhol, Passos Coelho e Mariano Rajoy, desculpou-se que pretendia mais visar o comissário socialista europeu Pierre Moscovicci, e governos socialistas que ele desconfiava que aquele pretenderia favorecer, como são os casos do francês e do italiano. De modo que se desculpou junto dos seus colegas de partido português e espanhol, ao mesmo tempo que esclarecia as suas intenções totalmente partidárias.

Como se sabe, a Comissão resolveu não tomar medidas antes das eleições espanholas, para não prejudicar a candidatura de Rajoy. Mas ficamos a saber que os responsáveis pelos descalabros português e espanhol são mesmo Passos e Rajoy. Se depois das eleições espanholas vierem as multas, não haja dúvidas das pessoas a quem se devem – embora os novos governos venham a ressentir-se do assunto. É por isso, por os novos governos se ressentirem, que parece haver no PSD quem defenda a multa. Depois, quem quiser acredita no que quiser. Mas é extraordinário que a Comissão multe um país por adoptar as políticas que essa mesma Comissão apresentou ou apoiou entusiasticamente (e não vale o argumento de que Passos foi mais longe do que o recomendado por Bruxelas, porque de qualquer maneira as suas políticas foram ali aprovadas). Claro que Bruxelas faria melhor em multar posteriormente, mas não querer governar e aprovar antecipadamente medidas. No entanto, não tem sido esse o caminho seguido, e não hesita mesmo em insistir no molhado (ou seja, no que já deu comprovado maus resultado) para mal de toda a Europa que não consegue ultrapassar a crise com as medidas desenhadas – e em que se insiste, mesmo depois de vê-las falharem, até com as tais multas kafkanianas.

Manfred Weber não será muito ético nas suas posições, mas tem bem a quem sair, com a sua falta de ética.

Entretanto, por cá, Passos Coelho, claramente desavisado e sem rumo, pretende culpar o actual Executivo de todos os males por si provocados, e já agora também dos males de que é responsável o próprio Passos. Como se este Governo tivesse posto um travão nas exportações. As exportações, segundo qualquer manual económico clássico (mas não lido por Passos e os seus) precisam de um mercado de recuo, precisamente para quando falham os mercados a que se destinam (como acontece agora, devido à crise económica e de valores de vários mercados das exportações nacionais). Costa esrá a tentar criar um mercado nacional de recuo, mas ainda não houve tempo. Passos, entretanto, não pede esculpa pelo erro, limita-se a insistir nele – mostrando que dali nada se pode esperar de futuro.

De resto, é bom saber que há alternativas de governação, já que na realidade também existem essas alternativas, nunca reconhecidas pela extrema direita e extrema esquerda.

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