Este Governo não tem uma ministra do Trabalho, certamente uma inferioridade, mas sim uma ministra do Não-Trabalho, seguramente movida por fortes complexos ideológicos. E como ela não tem cara de grande cultura, vamos dar por seguro que a senhora não é propriamente ideóloga. Saberá, pelo menos, que os trabalhadores do seu partido mais politizados, pelo menos os que não querem pertencer à Intersindical, estão maioritariamente na UGT? Talvez não.
É a principal razão de tudo fazer para radicalizar a UGT, e provar aos trabalhadores sociais-democratas que um Executivo do seu partido é inimigo dos trabalhadores.
Isto significa que a UGT deveria desde já exigir a substituição da ministra? Na minha modesta opinião, não. E por 2 motivos principais: primeiro, porque todo o Governo é da responsabilidade do PM, tem quem ele lá quer, e com quem se sente bem a trabalhar; e depois, porque o PM fica assim exposto como adversário gratuito dos trabalhadores, que também por isso é necessário substituir, por alguém muito diferente dele e de Passos Coelho.
Declaração de interesse: sou igualmente um trabalhador, apesar de estar neste momento reformado.
De resto, se eu fosse o PM, e quisesse mesmo ver aprovada a tal legislação, já teria mandado a ministra (que é mais mulher de um banqueiro, do que responsável pelo sector do Trabalho dos sociais-democratas), já a teria mandado procurar ao menos um grupito de patrões que aspirassem a ela. Porque os representantes do patronato, com quem a ministra se anda a reunir, tão pouco parecem representar ninguém.
E agora, que o ‘trampismo’ está de moda (o que deve deixar radiante gente como Ventura), convém lembrar que Trump ao menos mudou a designação do seu ministro da Defesa para ministro da Guerra, mais de acordo com as suas novas funções.