Vinagrete 17.08.23 – O orgulho anti-turistas

Turismo em Lisboa, fotografia de jornaldaregiao.pt

Vejo nos jornais que cidades europeias como Veneza e Barcelona se revoltam contra o excesso de turistas (esqueçamos a influência dos atentados de Barcelona no assunto), e percebo o seu orgulho anti-turístico. Veneza, por exemplo, tem 55 mil residentes, e recebe mais de 70 mil turistas por ano. Barcelona talvez não apresente estes números tão estratosféricos, mas lá terá as suas razões.

Eu, que passo férias na Foz do Arelho, fico sempre alucinado com a loucura turística de Óbidos, feliz por não ter lá casa, e cheio de pena dos que lá as compraram convencidos de que podiam descansar com as famílias. E o drama é que os políticos saloios ficaram satisfeitos com o dinheiro trazido por esta gente (nem querem ter o esforço de pensarem em alternativas), tanto como os comerciantes que para eles trabalham.

Turistas em Barcelona, fotografia de gobcn.com

Chegou-se ao ponto de permitir aos condóminos que não se instale um escritório nos seus prédios, mas pretende-se vedar-lhes um veto aos turistas de pé descalço que lhes invadem as redondezas com berros e lixos (sempre são preferíveis os que não façam porcarias, apesar da snobeira que isto possa implicar nos tempos que correm).

Os tempos estão realmente maus. Quando passa esta moda do turismo de massas, e voltaremos a ter os mais civilizados viajantes (passe a snobeira, talvez pouco democrática, mas não quero conformar-me com a ideia de que a democracia tem necessariamente de ser antiestética e alarve).

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