Vinagrete 17.05.05 – A política e o ar dos tempos

Corbyn, fotografia do Jornal de Negócios

Criticam-se agora os políticos mais à esquerda e democratas (por exemplo o líder do Partido Trabalhista Inglês), por não saberem andar com o ar dos tempos, e deixarem assim a direita ganhar as eleições.

Pessoalmente, uma certa direita, sobretudo a democrata-cristã, e preocupada com as questões sociais, não me incomoda nada. Vou dar exemplos concretos: parece-me que, em Portugal, os governos de Cavaco Silva foram, em ternos sociais, dos mais progressistas da História nacional; na Alemanha, é impossível imaginar politicas sociais mais avançadas do que as de Merkel – embora não me pareça isso uma razão forte para que o Partido Social-democrata alemão deixe de existir, ou de afirmar os seus valores, mesmo que seja para perder eleições com ela; na Itália, logo a seguir à guerra, quando os monárquicos e os fascistas ainda tinham força, os democratas cristãos, que depois se fizeram com a Direita e hoje se acolham ao grupo parlamentar comunista no Senado (preferem isso aos chamados populistas ou liberais da Direita de moda), eram depois da II Guerra qualificados de esquerda.

Bernie Sanders, Wikipédia

Os sociais-democratas nórdicos fizeram nacio0nalizações (b em sei que é pecado mortal falar do assunto hoje, na Europa) e grandes políticas sociais logo a seguir à II Guerra, quando os seus países estavam economicamente de rastos; mas como lá os impostos não podem ir para mordomias políticas (como diz o papa Francisco, quem ambiciona vidas de luxo não deve ir para a política), o dinheiro podia ser aplicado em políticas sociais. Hoje, todos os países europeus são mais ricos, mas parece que não podem, pagar as políticas sociais por falta de dinheiro.

Continuo a achar que a esquerda e a direita se devem dividir mais por políticas sociais do que fracturantes (tão do agrado dos partidos mais nazis, e entusiasticamente apoiadas por Hitler no seu tempo).

De resto, foi um prazer ver Bernie Sanderts bater Hillary Clinton em muitas eleições americanas. Como é um prazer ver que o líder trabalhista inglês não se deixa arrastar pelos ares dos tempos. É desta gente que o mundo precisa, e não dos pragmáticos que só pensam em ser populares, e defendem o que for preciso para isso, cheirando sondagens e o ar dos tepos.

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s