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Vem aí uma multa de mil euros para quem não der prioridade a mulheres à espera de bebés e deficientes. Pode ser que a multa de mil euros seja pouco, quando se trata de má educação.
Quando fui viver para Madrid, em Janeiro de 1989, avisaram-me que os espanhóis tinham esse atraso cultural, e essa má educação, de não darem lugar nos transportes

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públicos, nem em lado nenhum, a quem precisa. Pelos vistos, não era bem atraso. Na altura, eles, que não tinham passado por uma revolução, e gozavam Felipe González desde 1982, já estavam economicamente muito avançados em ralação a nós. Era um certo adianto social, muito mal educado e bastante atrasado intelectualmente, devido às classes assim-assim ( o que a minha mulher, na sua snobeira natural, chama ‘meia coisa’) acharem que não têm de dar o lugar. Por outro lado, quando envelhecem, sentem-se com direito a tudo, sem nenhum respeito por quem precisa mais de consideração: por exemplo, mulheres à espera de bebés nos últimos tempos ou certos deficientes (porque também os há sem grandes necessidades, mas que se

Fotografia do Público
fazem prioritários). É como um certo tipo de pessoas que pega ao colo em matulões de 14 anos ou mais, para passarem à frente nas filas.
Por mim, orgulho-me não só de procurar respeitar o princípio (sempre subjectivo) de dar lugar a quem precisa, e de assim ter conseguido ensinar filhos e filhas.
Mas infelizmente parece ser preciso legislar mesmo sobre o assunto, porque a Sociedade (por muito bem preparada que os seus membros andem noutras matérias), falha aqui completamente. E cada vez mais. O problema é que a legislação, sendo cega e burocrática, vai também criar situações de injustiça. Ainda assim menores do que com a abstenção pura e simples.