Vinagrete 16.07.22

Trump é mesmo histórico?

Convenção de Cleveland, fotografia do Público

Convenção de Cleveland, fotografia do Público

Exaltados de Cleveland, fotografia de br.sputniknews.com

Exaltados de Cleveland, fotografia de br.sputniknews.com

Poderíamos dizer que a notoriedade internacional de um débil mental como Trump não está apenas no dinheiro com que consegue pôr os jornais a falarem dele, mas no facto de a sua candidatura à Casa Branca ser tão levada a sério pela imprensa (e a imprensa americana tem dos jornalistas mais ignorantes do mundo, o que dá para termos uma ideia do seu nível, como se viu pela senhora da CBS que entrevistou a dupla Trum/Pence, e nem sabia que o primeiro tinha apoiado a Guerra do Iraque, deixando-o a falar contra ela sem o confrontar com isso), que acaba por ter excessivos apoios populares.

De repente, vejo artigos de opinião no Púbico a considerarem os paquistaneses mais atrasados por causa das barbaridades dos muçulmanos (mortes de honra, atentados terroristas, etc.). E dou comigo a pensar que, embora não haja nisso morte de homem, também uma percentagem elevadíssima de norte-americanos se presta a

Discurso de consegração, fotografia de pt.euronews.com

Discurso de consegração, fotografia de pt.euronews.com

votar num débil mental como Trump. Há até quem afirme que ele pode muito bem ser Presidente do EUA, a prometer a todos este mundo e o outro, e todas as quadraturas de círculo impossíveis. E já se viu como os eleitorados, talvez pouco preparados, se prontificam a acreditar em tudo (por cá, até houve quem acreditasse em Passos Coelho, suponho que menos gente do que hoje).

Por exemplo, ontem, na CNN, antes do discurso de auto-consagração de Trump, alguns pivots, mesmo escondidos num tom irónico, não deixaram de falar em “uma noite histórica”.

Claro que os atentados do terrorismo islâmico por enquanto são

Ivanka, filha e admiradora de Trump, fotografia de eonline.com

Ivanka, filha e admiradora de Trump, fotografia de eonline.com

mais mortíferos do que Trump, até porque há um Estado Islâmico. Mas imagine-se este Trump, que admira gente tão pouco recomendável como Erdogan ou Putin, à frente do Estado mais forte do Mundo! Ainda por cima num tempo em que até já há políticos europeus a dizerem sem vergonha apreciarem o género. E em que nos lembramos das pessoas mais lúcidas que, antes da II Grande Guerra, alertavam para os maus caminhos que o mundo seguia (sem ninguém os querer ouvir). E sim, a democracia é a menos má das más alternativas políticas, mas não deixa de ser má, e viabilizar eleições como a de Erdogan hoje, e a de Hitler há uns anos atrás. E Trump tem uma fatia considerável do eleitorado com ele (enquanto na Convenção de Cleveland se pede sem vergonha a prisão dos adversários; talvez quem o pede pudesse ir dentro por prevenção). Cruzes, canhoto, digo eu – que também escrevo sobre a personagem, por a achar perigosa e  demasiado atrasada para o papel, mesmo nos EUA.

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