Trump é mesmo histórico?

Convenção de Cleveland, fotografia do Público

Exaltados de Cleveland, fotografia de br.sputniknews.com
Poderíamos dizer que a notoriedade internacional de um débil mental como Trump não está apenas no dinheiro com que consegue pôr os jornais a falarem dele, mas no facto de a sua candidatura à Casa Branca ser tão levada a sério pela imprensa (e a imprensa americana tem dos jornalistas mais ignorantes do mundo, o que dá para termos uma ideia do seu nível, como se viu pela senhora da CBS que entrevistou a dupla Trum/Pence, e nem sabia que o primeiro tinha apoiado a Guerra do Iraque, deixando-o a falar contra ela sem o confrontar com isso), que acaba por ter excessivos apoios populares.
De repente, vejo artigos de opinião no Púbico a considerarem os paquistaneses mais atrasados por causa das barbaridades dos muçulmanos (mortes de honra, atentados terroristas, etc.). E dou comigo a pensar que, embora não haja nisso morte de homem, também uma percentagem elevadíssima de norte-americanos se presta a

Discurso de consegração, fotografia de pt.euronews.com
votar num débil mental como Trump. Há até quem afirme que ele pode muito bem ser Presidente do EUA, a prometer a todos este mundo e o outro, e todas as quadraturas de círculo impossíveis. E já se viu como os eleitorados, talvez pouco preparados, se prontificam a acreditar em tudo (por cá, até houve quem acreditasse em Passos Coelho, suponho que menos gente do que hoje).
Por exemplo, ontem, na CNN, antes do discurso de auto-consagração de Trump, alguns pivots, mesmo escondidos num tom irónico, não deixaram de falar em “uma noite histórica”.
Claro que os atentados do terrorismo islâmico por enquanto são

Ivanka, filha e admiradora de Trump, fotografia de eonline.com
mais mortíferos do que Trump, até porque há um Estado Islâmico. Mas imagine-se este Trump, que admira gente tão pouco recomendável como Erdogan ou Putin, à frente do Estado mais forte do Mundo! Ainda por cima num tempo em que até já há políticos europeus a dizerem sem vergonha apreciarem o género. E em que nos lembramos das pessoas mais lúcidas que, antes da II Grande Guerra, alertavam para os maus caminhos que o mundo seguia (sem ninguém os querer ouvir). E sim, a democracia é a menos má das más alternativas políticas, mas não deixa de ser má, e viabilizar eleições como a de Erdogan hoje, e a de Hitler há uns anos atrás. E Trump tem uma fatia considerável do eleitorado com ele (enquanto na Convenção de Cleveland se pede sem vergonha a prisão dos adversários; talvez quem o pede pudesse ir dentro por prevenção). Cruzes, canhoto, digo eu – que também escrevo sobre a personagem, por a achar perigosa e demasiado atrasada para o papel, mesmo nos EUA.