(Continuação)
E John Smith muito contrito: Desculpe-me, Sr. Presidente. Tem razão, SR. PRESIDENTE.
Trampas, outra vez reconciliado, afirmou: Eu desculpo. Desculpo-o. E tenho sempre razão.
Então, informou:
— Vou pespegar-lhes com as botas no chão, na Ilha de Kharg, mas como se esperam mortos e presos, entre os nossos, vou deixar que se diga ser uma coisa lá dos militares.
Depois, dando um sorvo maior no whisky, e endireitando-se, anunciou com solenidade:
— Agora, uma caxa para começar as suas novas funções em grande. Desde que não diga de onde veio, evidentemente. Vou mudar o nome da nossa capital.
— Qual?
— Washington. Obviamente.
— Para quê?
E logo, assustado:
— Não diga.
Deliciando-se, no seu tom possidoniamente mimado, como só no velho mundo europeu o entendiam bem, acrescentou:
— Digo, digo. Para o nome do melhor Presidente, que os EUA já tiveram. Ou não temos director?
— Temos, temos.
— Portanto, temos – Trampas estava maravilhado. – Pois seja: temos.
E pondo-se depressa com ar de caso, em tom possidoniamente mimado, como era característica sua, fez esta advertência: — Dizem-me que no mundo velho, na Europa, usam uma expressão ridiculamente pejorativa para a riqueza, que pode incluir gente como eu, em que foram os pais que fizeram a fortuna, que é a de novo rico.
E, logo, pondo-se muito direito, ainda no tom possidónio: Como se ser novo rico fosse pior do que velho pobre. Ora, rico é rico, seja novo ou velho. E parece-me sempre preferível a ser teso. Eu, por exemplo, prefiro ser Presidente dos ricos, do que dos tesos. E por isso é que gosto tanto de Putin. Os pobrezinhos, estão muito bem para votarem, mas mais nada. Por exemplo, para gostar mais de si, tenho de enriquecê-lo. Fazer de si director.
— Só é pena esse arzinho no falar – disse-lhe eu, no meu tom mais natural. — Ao menos, os seus antecessores eram mais naturais a falar, e não pareciam mal aos europeus.
— Se é só no falar, eu também sou capaz. – Retorquiu Trampas, fazendo um enorme esforço de naturalidade.
— No falar – acrescentei eu – e a fazer um director, na vida.
— Está feito.