Não quero dizer mal do Michelin só por dizer. Mas enquanto outros países, como o dos nossos vizinhos espanhóis, precisavam do Guia para melhorar a sua, a nossa gastronomia tradicional tornou-se conhecida e amada pelos estrangeiros há muito tempo. Vem isto a propósito de os jornais portugueses falarem tanto do Michelin, por causa dos novos restaurantes recomendados por eles, a partir do guia lançado ontem na Madeira.
Como dizia no princípio, não quero dizer mal do Michelin só por dizer, quando acho de inteira justiça eles recomendarem o Belcanto do José Avillez. Também não acharia mal eles recomendarem o Belcanto antes de ser do Avillez, embora reconheça a este qualidades especiais de cozinheiro.
Gostaria contudo de aproveitar o falar-s e agora tanto nos jornais de restaurantes portugueses – outra coisa que se deve ao Michelin –, para destacar 3 que cultivqm muito bem a cozinha tradicional português, e contribuíram PARA que ela seja conhecida e amada no estrangeiro: o Solar dos Presuntos, na Porta de Stº. Antão, o Poleiro, em Entrecampos, e o bom e velho Gambrinus. Queira Deus que se mantenham iguais.
É verdade que, em Portugal, o lucro fácil que se tira da restauração impede-nos de entrar em qualquer casa que sirva comidas, com a ideia de sairmos de lá satisfeitos. Mas igualmente o é que o primeiro restaurante de Évora a ser recomendado pelo Guia Michelin não foi o Fialho, do meu amigo Gabriel, que outro meu amigo, que sabe um bocadinho de restaurantes, o José Quitério, considerava, e deixou-o escrito, um dos melhores restaurantes de Portugal.