Vinagrete 26.02.09 – O povo português escolheu tão bem, que eu identifico-me

O povo, melhor dizendo, o eleitorado português escolheu tão bem, na minha escassa opinião, que eu volto a ide ntificar-me com a sua escolha para Presidente da República.

E eu reconheço, sem problemas, ser raro identificar-me com as escolhas do eleitorado. Também só lhe dou uma certa margem de erro. Porque se deve tratar o Chega como um partido normal, se acreditamos que se trata de um partido anormal? Porque não havemos de mandar para a prisão o Ventura, se ele já demonstrou que o faria, apenas por discordâncias políticas. Talvez valha a pena saber-se que as pessoas que ele mais detesta, e que se pudesse mandaria logo para a prisão, são as que o viabilizaram, como Mário Soares.

O primeiro a notar o acertado da escolha foi o seu principal adversário, embora tão involuntariamente, que a maioria dos ouvintes não o entendeu. Enfim, nas razões avançadas para calcular, erradamente, que este eleitorado haverá de escolhê-lo alguma vez, estava o reconhecimento de que acertara ao rejeitá-lo.

Uma coisa é certa: Ventura não poderia, nem quereria, fazer o discurso de vitória de Seguro. Que achei óptimo, e só não entendi um aspecto. Porque é que todos os candidatos puseram, entre eles e Marcelo, as maiores distâncias. Mesmo quando o assunto já não tinha importância para o resultado da eleição, se Marcelo fosse impopular, que penso não ser o caso. Apesar de ter deitado pela janela uma maioria absoluta. Que ninguém me convence não ter sido propositado.

Também só uma figura como Seguro teria tantas personalidades de outros quadrantes a votarem nele com gosto. Portanto, o alcance da vitória deve-se inteiramente a ele, e apenas a ele. Pela mesma razão que, entre as imensas felicitações imediatas pela vitória, não se encontrava a de António Costa, que terá votado nele duas vezes seguidas.

Deus me perdoe, mas naquela noite imaginei-o a fazer esta recomendação a uma criada: ’Se o Sr. António Costa telefonar, não lhe dê o meu número, ouviu bem?’

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