José Sócrates está ao rubro, no julgamento da Operação Marquês. E estão zangados com a falta de resultados do julgamento, os mesmos que votaram no Montenegro. E, no entanto, são dois casos parecidos, quase iguais.
Contudo, os que votaram contra Montenegro, estão a borrifar-se para a condenação de Sócrates. O que só pode significar que a sociedade está mais dividida entre esquerda e direita, do que em democratas e antidemocratas.
Vejamos porque acho o caso Montenegro e Spinunviva tão grave como os de Sócrates. Um primeiro-ministro não pode estar à frente de uma empresa como a Spinumviva, e por alguma razão viu-se impedido disso como PM. Obviamente os clientes, só eram clientes dele, porque espeavam que chegasse a PM, e por ter sido líder parlamentar de uma liderança forte do partido.
Comecei a ficar intimamente convencido (como pessoa do Direito, de forma menos íntima, exijo ver provas, embora seja menos exigente neste aspecto do que os tribunais) da culpabilidade de Sócrates quando o vi usar todas as manobras dilatórias para evitar o julgamento. Também fiquei mais intimamente convencido da culpabilidade de Montenegro, quando o vi usar manobras, bem sucedidas, para evitar que o seu caso ocupasse a campanha eleitoral.