Um jornal de referência noticiava há dias haver sites portugueses de Santo Tirso, sediados propositadamente no Canadá, a divulgarem notícias políticas falsas. E a situação é considerada tão preocupante, que a Comissão Nacional de Eleições anunciou ir tomar medidas nesta área, por causa das próximas eleições em Portugal.
Porque há a ideia de que as notícias falsas, sobretudo de extrema-direita, tiveram influência decisiva em eleições recentes para a vitória de candidaturas consideradas populistas (como a de Trump nos EUA, também activamente acalentada por Moscovo, e a de Bolsonaro no Brasil). O caso de Bolsonaro é tão escandaloso (o que não afecta minimamente os seus apoiantes), que ele se deu ao luxo de convidar para o seu Governo, não só o juiz Sérgio Moro, mas também o proprietário de um site de notícias falsas.
Em Portugal, dá-se o exemplo mais conhecido de uma notícia que atribuía à líder do BE um relógio luxuosíssimo e caríssimo que ela nunca teve (o que não sendo grave, não deixa de ser mentira, e visa obviamente prejudicar a senhora). Mas eu passei por outro caso sintomático. Recebi uma fotografia de um almoço de apoio a Sócrates, em que se dizia que a única mulher presente era a nova PGR. Depois, quem mo mandou, explicou ser mentira. Pessoalmente, vindo de quem vinha, dava-o como verdadeiro (tanto mais que a cara era pequena e não se percebia à primeira). E houve quem o desse tanto por verídico, que mandou uma notícia para um jornal de referência, com base na dita fotografia. Resta saber se o engano foi totalmente inocente. Porque há cada vez mais gente desejosa de acreditar naquilo com que concorda. Trump, por exemplo, mostra-se cada vez mais descarado, a mentir.