Vinagrete 17.11.02 – Catalunha

Muito bem: nunca escondi que simpatizo com os autonomistas e os independentistas catalães, muito mais do que com os unionistas. E que me parece natural uma cumplicidade entre portugueses e catalães. São duas nações ibéricas, que na realidade devem muito uma à outra.

E enquanto Portugal, formalmente, se limitou a ‘sofrer’ uma União Real com Espanha, que em certa altura (Felipe II de Espanha e I de Portugal) até foi bastante vantajosa para nós relativamente aos chamados espanhóis, em termos fiscais e de pagamentos das Guerras dos Áustrias, os catalães talvez tenham sofrido mais. Mas têm o problema de serem mais civilizados, e sabe-se que os povos atrasados e ‘bárbaros’ sempre se impuseram aos que se adiantaram em civilização (no caso, os castelhanos, relativamente ao resto dos ibéricos). Os catalães têm ainda a vantagem, ou desvantagem, de trabalharem mais e gerarem maior riqueza do que os resto dos espanhóis (talvez com excepção de muitos bascos).

Sei bem que os chamados iberistas defendiam a união ibérica, com os povos de fora a imporem-se aos centralizadores castelhanos. Mas isso não tem sido possível, apesar da maior riqueza de muitos periféricos. Talvez pelo princípio de os mais atrasados se imporem pela força aos que se civilizam primeiro.

Enfim, tudo razões para simpatizar com os não unionistas catalães – autonomistas ou independentistas. E ao ver esta histeria nacional contra os catalães, devo lembrar que toda esta guerra começou com a anulação da autonomia que mantinha os catalães sossegados – até porque o Partido Nacionalista Catalão, sendo da alta burguesia regional, não aprecia propriamente acções dramáticas. E lembro também que a argumentação utilizada pelo PP para pôr fim à autonomia catalã foi a jurídica, através do Tribunal Constitucional (quando este órgão passou a ser por si controlado).

E só não sabe quem não quer que a Justiça espanhola, sobretudo o Ministério Público e o Tribunal Constitucional, nunca foram independentes, como na Europa mais avançada (incluindo Portugal). Nem os jornais madrilenos o são ou foram alguma vez. O próprio Rei actual, preferiu apostar na força dos castelhanos – deitando fora o seu papel de união supra-nacional de Espanha, e desiludindo quem esperasse vê-lo apresentar uma solução supra-nacional e a contanto de todos.

Enfim, viva a Catalunha! Continuo a vê-la com cumplicidade de periférico, e de quem se considera mais civilizado do que os castelhanos. E mantenho a minha perplexidade por ver cá muitos castelhanistas que desprezam completamente os ensinamentos e as posições dos iberistas.

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