
Catalunha pró-independente, fotografia do Globo
Continuo perplexo ao ver tantos comentadores nacionais contrários à independência da Catalunha. Mas que se há-de fazer? Deve ser a argumentação da vantagem dos grandes: por exemplo uma língua como a portuguesa é cada vez mais substituída pelo idioma franco globalizado, o inglês, e aparentemente, para os que não sentem necessidades culturais de identidade, não faz sentido. Como faria então o catalão?
Acontece que, apesar de toda a globalização, com o que implica de bom e de mau (tanto, que não pode deixar de voltar muito atrás), ainda temos quem tenha necessidade dessas ninharias identitárias e culturais. Cada vez mais, felizmente.
A situação em Espanha está realmente explosiva. Houve o tempo em que Rajoy achava poder fazer músculo, e acabar com o essencial da autonomia catalã, e recusar até negociar o financiamento autonómico para descer ligeiramente o que a região dava para o resto de Espanha.

Rajoy não consegue enfrentar líder catalão, SIC Notícias
Estou convencido que o problema não é só a falta de jeito de Rajoy, que também é muita. Mas igualmente de todo o PP (como se viu ontem na RTP1, no programa Prós e Contras sobre a Catalunha, com o representante enviesado do PP), que preferia o terrorismo basco, como certeza de que afastava a possibilidade da independência.
Claro que a seguir à Catalunha irá o País Basco. E talvez o resto dos espanhóis tenha de se habituar a trabalhar mais, e a não depender tanto dos catalães e bascos (gente do Norte e mais trabalhadora). Pode-se evitá-lo? Talvez. Com o regresso à autonomia identitária. Mas Rajoy faz tudo para o tornar cada vez mais difícil, ou até impossível (quando mandou o estatuto para o Tribunal Constitucional o desfazer, esquecendo que estava perante um problema político e não jurídico). Qualquer dia, até ele vai ter de trabalhar.