
Prof. Marcello Caetano, fotografia do jornal i
Talvez por ter feito Direito Administrativo a estudar pelos 2 manuais de Marcello Caetano (nada de confusões, não sou assim tão velho, ele não era já o professor, mudara-se da faculdade para o Governo em 1968), fiquei imbuído dos cuidados que se deve ter nas classificações políticas. Por exemplo, na diferença entre extrema-esquerda ou extrema-direita, e esquerdas ou direitas radicais.
A democracia que hoje se chama liberal, chamava-se na altura orgânica (a extrema-esquerda, que falava numa democracia directa, qualificava-a de ‘democracia-burguesa’).
Hoje, com os chamados partidos burgueses a defenderem

Parlamento, fotografia do Público
fórmulas das extremas-direita e esquerda (os referendos) ou outros tipos de democracia directa, mudaram o nome de democracia orgânica (que efectivamente deixou de ser, para democracia liberal (que vai muito melhor com os ares dos tempos).
Daí eu sentir a minha necessidade de vir aqui afirmar que continuo a ser favorável e uma democracia-orgânica, e não liberal. Sou contra todas as formas de democracia directa (a começar pelos referendos políticos exagerados, a não ser por razões locais e menores específicas). Mas também sou contra as eleições directas com que querem alargar o eleitorado dos partidos com gente de fora. Quem quer votar num partido, deve filiar-se nele. Quem prefere ser independente (e tem mesmo uma má opinião do partidarismo sectário e excessivo que nos domina), é melhor procurar candidatos independentes.