
Macron vencedor, fotografia do JN
Afinal, apesar da histeria geral, com muitos reflexos na imprensa, as notícias sobre a extrema-direita na Europa eram francamente exageradas. Nem a Áustria voltou a cair nisso, nem a França. Talvez a Itália corra o risco de uma coisa parecida, mas ainda assim diferente: um palhaço a apalhaçar uma política demasiado mafiosada. Mesmo na Alemanha, a alternativa parece ser entre Merkel e o pouco avançado Shultz.
Quanto a parvoíce, ficámos pelos EUA e Trump. Mas já lá dizia o francês americanizado George Steiner, que disso saberá mais do que qualquer outro Europeu, serem também exageradas as notícias europeias sobre as Universidades e as elites norte-americanas. São pequeninas, com os seus idiotas testes americanos, e os EUA têm conseguido a vantagem de fixar lá europeus geniais e formados na Europa (que agora, coitados, levaram com o Trump pelas trombas).
A Europa tem certamente de quem se envergonhar (desde logo, Hitler ou Mussolini). Mas não gerou nenhum Joseph Raymond McCarthy.

Le Pen perdedora, fotografia do Sapo
Pessoalmente, fiquei satisfeito com a vitória de Macron em França. Desde a saída de Juppé, era ele o meu candidato. Claro que prefiro políticas sociais a fracturantes, e esta nova esquerda agora de moda tem-me desiludido nisso (talvez menos o nosso Costa, que vai por uma política de direita moderada e mais social, muito mais social e eficaz doi que a de Passos/Portas). Nem me impressiona o nível da abstenção, nem os votos nulos ou brancos. Se eu não gostasse francamente de nenhum dos candidatos, talvez tivesse ido por aí. E as sondagens têm apontado para um bom resultado do grupo de Macron nas legislativas de Junho, enquanto prevêem a pequenez de sempre para a Frente Nacional (

Trump ficou como bizarria americana isolada, Wikipédia
que parece preparar uma mudança de nome para lavar a cara).
Tenho ouvido reportagens tristes na Antena 1, que me fazem ouvir alguns portugueses favoráveis a Le Pen, sem perceberem que seriam talvez os primeiros a sair no caso de uma vitória dela. Como aconteceu já com imigrantes expulsos dos EUA e que tinham votado em Trump (será ironia, mas parece-me que o merecem ais do que os outros, que não votaram nele). Enfim, quiseram fazer-nos crer que, por causa do nível baixo dos apoiantes de Le Pen (e outros extremistas desse mundo largo), estava ali o povo contra as elites. Não é verdade. Aquele povo, lá por ser de classes baixas e ignorante, não consegue chegar a maioritário. Chegam-nos as loucuras europeias com que essa espécie de povo conseguiu pôr a Europa dos anos 30-40 do Século passado numa guerra devastadora – trucidando com pouco patriotismo quem não estava com eles dentro dos seus países.