
O super juiz que parece venal e ineficaz, fotografia de inepcia.com
Li por aí que só os antigos apoiantes de Sócrates se queixam das demoras da Justiça no seu processo.
Suponho não ser suspeito de alguma vez ter tido alguma simpatia por Sócrates, e demonstrei-o bem. De resto, tive sempre a mesma simpatia por Sócrates e por Passos Coelho – embora as aldrabices que vi denunciadas sobre este último nos jornais sejam mais concretas. Mas, enfim, simpatias, nunca – e por nenhum deles.
Agora, a minha formação em Direito (provavelmente muito escassa e antiga) leva-me a querer ver as acusações

Fotografia de teresinadiario.com
concretizadas, e não pessoas a arder em público, com o nome definitivamente conspurcado (bem sabemos como as pessoas mais poucochinhas se apegam a qualquer acusação, para a considerarem definitiva). E o tal super-juiz que se especializou em deixar os processos em fermentação, sem sequer conseguir depois condenações, pelos vistos tem muitos rabos de palha, e nem consegue viver com o seu gordo ordenado (e eu sei do que falo, porque fiquei reduzido a uma ridicularia).
De resto, embora o PS não seja talvez o meu Partido preferido, por diversíssimas razões, tenho achado simpática a sua tradição de menor pragmatismo em várias questões, a começar nas relações com as antigas colónias transformadas em ditaduras exploradoras (coisa em que o PSD nunca teve grande vergonha).

Fotografia da RR
Agora penso é que, enquanto se acopular muita gente a um mesmo processo, consegue-se arrastar nomes pela lama, mas não se chega a nenhuma condenação judicial. O problema é pensar ser isso que satisfaz os nossos magistrados. Só a operação Marquês, a tal que envolve José Sócrates e nunca mais acaba, tem como arguidos, entre muitos outros, Armando Vara, Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava – e já vai em 100 volumes e mais de 40 mil páginas. Parece que agora se lhe acrescentam o Grupo Lena e alguns administradores seus.
Outra coisa é dar razão a quem acusa os políticos de, no Parlamento, na legislação que ali produzem, defenderem mais os criminosos do que as vítimas.