A aceitação pelos partidos governamentais de uma nova Comissão Parlamentar de investigação à CGD, mesmo que sirva só para gincana política, deixou os seus promotores esparvoados. E já não falo no entalanço do Fisco de Paulo Núncio. Sim, não será apenas por estarem encostados com o escândalo das fugas escondidas para off shores (houve quem ainda não percebesse que se critica sobretudo o facto de terem sido deliberadamente escondidas, não tanto por existirem, pelo menos todas).
Interessa-lhes realmente apenas o barulho pelo barulho, e tal atitude visa mais ao silêncio e à serenidade (horror!). Já se viu que este Governo fez mais pela CGD, do que o anterior em todo o seu longo mandato (e voltará a acentuar-se isso com certeza, na nova comissão parlamentar da CGD, que a oposição quer por outros motivos). Mas mesmo assim gostam de berrar, e sabem que contam com o apoio de certa imprensa.

Fotografia do Pºublico
Repare-se na questão dos SMSs. Já toda a gente conhece todos os SMSs, porque houve quem se empenhasse em divulgá-los (a bem ou a mal). Mesmo assim, berra-se para que o Governo cometa a deselegante ilegalidade de os divulgar ele, arriscando um perigosíssimo precedente, só para poderem continuar a berrar pela sua divulgação oficial. Embora seja obviamente impossível essa divulgação trazer alguma novidade ao que já se sabe.
Claro que eu não quero defender a atitude do ministro, ao tratar a CGD como um Banco privado. Mas será que PSD e CDS acham mesmo isso mal, e fariam alguma coisa diferente? Então porque não fizeram? Era só a privatização? De borla, como tem sido a de outros Bancos? Mesmo que achem isso, certamente não o assumirão.
Claro que tudo isto perdeu gás com as histórias bem mais graves do Fisco.