
Paulo Núncio vira costas, fotografia da RR
Estavam o PSD e o CDS encantados por os jornais alinharem na sua forma de evitarem deixar claro o nada que tinham feito pela CGD, atacando Mário Centeno por um pormenor (a tal questão dos SMSs bem conhecidos) formal, de modo a escamotearem que este Governo bem ou mal fizera muito mais pela mesma CGD, quando lhes cai em cima a questão do Fisco.
Em suma, durante o Governo PSD/CDS, tinham ido milhões de euros para off-shores, devidamente denunciados pelos Bancos, que o Executivo se recusara a analisar, ou a deixar o Fisco analisar, ou aé simplesmente permitir ao Fisco a divulgação

P. Rangel, o msturador, fotografia da RR
pública..
Quem primeiro aparecia em causa era o ex-secretário de Estado das Finanças, o centrista Paulo Núncio. De início, ouviu-se uma enorme sinfonia daquilo que Pulido Valente deixou conhecido como picaretas falantes, a garantirem que tudo fora bem visto e revisto. Mas o director-geral das Finanças, que ia ficar com as culpas, apesar de ser aparentemente de políticas desses partidos, desatou a pôr tudo em pratos limpos, desfazendo o discurso dos e das picaretas falantes. E Pulo Núncio acabou por reconhecer os seus erros, assumir responsabilidades políticas, e demitir-se do CDS sem ninguém lhe pedir que recuasse. Estalam novamente as mesmas picaretas falantes, como se não tivessem dito nada antes, e desta vez a elogiarem-lhe tudo: trabalho feito no Fisco,

Picaretas falantes, fotografia da RR
desprendimento político, etc.
Mas afinal, bem vistas as coisas, o trabalho feito no Fisco foi só contra os de rendimentos baixos. Quem os tinha altos, passava sem esforço, e com a bênção de Núncio e seus superiores (Gaspar e Albuquerque) à margem do Fisco. Novos tempos, de uma Direita que esqueceu os pergaminhos sociais dos tempos de Freitas e Adelino, ou Sá Carneiro e Balsemão.
E agora não é só a oposição a lembrar que, na actual Constituição, os secretários de Estado não têm competências próprias, e que os ministros eram do PSD: Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque. No mesmo sentido falou o conselheiro de Estado e alto dirigente do PSD (seu ex-líder), Luís Marques Mendes. Claro que as picaretas falantes continuarão a falar

Os chefes da Banda, fotografia do DN
picaraticamente. E só se convence quem quer (como constatamos pelas eleições de Hitler e Trump). Mas as coisas sempre são o que são.
Ora esta sempre é uma questão importante, muito mais do que a mera formalidade dos SMSs da CGD. De resto, se fosse eu, esquecia a Constituição, e como os SMSs são conhecidos, até os divulgava mesmo. Nada acrescentariam ao que já se sabe, e esvaziava-se um balão, agora cheio com problemas realmente sérios e que devem ter custado caro aos contribuintes mais sacrificados. Porque, por muito que Rangel o diga hoje no seu texto de opinião do Público, CGD, Fisco e morte de criança num hospital não são a mesma coisa. Há as devidas proporções dos casos.