
Fotografia do JN
Trump tem uma única coisa simpática, que por acaso é a que o torna mais perigoso. Está a revelar-se igual a si mesmo, ao contrário do que pretendiam as elites do seu partido e as pessoas em geral – que o esperavam diferente, depois de eleito.
Na conferencia de imprensa dada 4ª-feira (ontem), mostrou que não tenciona mudar. E que a ética não é a sua preocupação – ou então que o seu conceito de ética é distinto do dos restantes mortais (salvo os que o elegeram). Susto geral. Ainda por cima, acabando por admitir espionagem eleitoral da Rússia a seu favor e

Fotografia do Jornal Económico
contra H. Clinton, limitou-se a desvalorizar o tema – fazendo-nos lembrar como ao menos Nixon acabou por se demitir num assunto muito semelhante (espionagem eleitoral). De resto, simpatia sempre com Putin, antipatia sempre com serviços de informações (ainda por cima indiscretos) americanos. E há ainda a questão horrível dos negócios.
Mas negócios quer ele pelos vistos para todos os amigos e correligionários milionários. Ao ponto de querer impor a sua ideologia, contra ideias adversas mais certas (uma espécie de Passos Coelho neste aspecto, sem ofensa noutros para o político português).

Fotografia do Independent
Veja-se como nomeou para ministra da Educação uma milionária contra o ensino público, que consegue impor as suas ideias no seu Estado (Michigan), apesar dos maus resultados ali comprovados. Ou igualmente o da Saúde. Ou os outros…
É, enfim, um ideológico, que prefere arrasar o país, para o ter à sua medida: quem votou nele, merece-o. O pior são os outros, que não votaram nele, e não o mereceriam. Como disse Obama, é começar já a lutar contra o novo Presidente, e a defender a Democracia dos EUA (esse colosso que parece ter-se ficado por um curto ciclo de grandeza). Porque a Democracia, como o resto, é um bem que precisa de ser cuidado, acarinhado e regado.