
Pria de São Torpes, fotografia de ionline.sapo.pt
São Torpes, terra encalhada entre Sines (a velha praia de todo o Alentejo) e a Comporta (uma zona de moda criada pelos Espírito Santos), tornou-se uma zona balneária agradável e requentada. O próprio São Torpes que lhe dá o nome à terra, por vezes também chamado ‘São Torpes de Pisa’, é venerado como um dos primeiros mártires e santos cristãos: é o homónimo de Saint-Tropez (que lá figura, no brasão da terra portuguesa), uma estância balneária do Sul de França um pouco mais célebre. De acordo com a lenda, afirma-se que ele, São Torpes, terá sido martirizado devido à sua fé cristã durante as perseguições levadas a cabo pelo imperador Nero (altura em que ele era um gladiador em Roma). Tornou-se também venerado pelos ortodoxos. Segundo a lenda (que também existe em França, junto a Saint Tropez), morto na sua terra, em Pisa, veio de lá de barco, guardado por um cão e um galo (que também fazem parte do brasão da terra). Hoje, tão ambientalistas que somos, temos o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Mas São

Boite sudwest em V.N.Mil Fontes, fito de guiavnmilfontes.info
Torpes, terra do litorial alentejano, começou por se celebrizar não como praia, mas pela sua basílica ligada ao Santo – que lá tem o seu Padrão, junto à foz da ribeira da Junqueira. E na Igreja-Convento de São Torpes (em Pisa), também se venera uma relíquia do Santo.
Enfim, a praia possui um extenso areal de areias finas e claras, com águas procuradas por surfistas e por adeptos de águas mais quentes, aquecidas por um complexo energético da EDP. Mas o culto balneário, sobretudo o vindo de fora, é aqui recentíssimo, e tem sobretudo a ver com o fim de Sines – bem como o aparecimento de outras praias neste litoral alentejano ainda relativamente pouco explorado. Sines, cidade o distrito de Setúbal, com cerca de 18 mil habitantes, era a grande praia alentejana. Mas foi depois considerada local excelente para a instalação da maior e primeira área portuária de Portugal, e a principal Cidade da industrial logística portuária em Portugal (além de ser conhecida como a terra natal do Vasco da Gama). Ainda por cima agora, depois das obras do Canal do Panamá, espera-se que aumente o movimento este porto. Faz também parte do Parque

Estátua de Vasco da Gama, no centro de Sines, fotografia de Tripadvisor
Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A história de Sines tem sido sempre determinada pelo mar. Desde a Pré-História.
Foi com os Romanos que o concelho se definiu pela primeira vez como centro portuário e industrial. A baía de Sines é o porto da cidade de Miróbriga. O canal da Ilha do Pessegueiro está ligado a Arandis (Garvão). Sob o poder de Roma, Sines e a Ilha são polos “industriais”, com complexos de salgas de peixe. A povoação pertenceu à Ordem de Santiago a partir o século XIII, e adquiriu autonomia administrativa em 1362. Esteve aí sedeada a Escola Naval Italiana nos séculos XV/XVI.
A fundação de Porto Covo (outra estância balneária hoje ali muito popularizada), por Jacinto Bandeira, acontece no final do século XVIII, no pressuposto de aí virem a ser construídos dois portos. Um acordo com Inglaterra, nos longos tempos da rainha Vitória, levou ao desenvolvimento de uma região que incluía Santiago do Cacém, Odemira, Santo André, Milfontes, Porto Côvo, Melides, Abela e Grândola. E os ingleses aproveitaram pelo menos recentemente (nos anos 30 do Século XX) a cortiça, fazendo ali várias fábricas (diz-se que 8) para o seu aproveitamento.
No século XIX, com o liberalismo, o concelho deixou de pertencer à Ordem de Santiago e acabou mesmo por ser extinto, em

Forte de São Clemente, em V.N. de Mil Fontes
1855. Mas a segunda metade do século é, paradoxalmente, de crescimento.
O século XX começa praticamente com a restauração do município, em 1914. A indústria da cortiça, a pesca e alguma agricultura e turismo constituem a base da vida de Sines até ao final da década de 60, quando, além da proximidade do mar, e da estância balneária, Sines pouco se distingue do resto do Alentejo (e talvez por isso agrade a todos os alentejanos que não podiam ir refrescar-se mais para o Norte – São Martinho, Foz do Arelho, Figueira da Foz, etc. – como zona de férias).
O grande complexo industrial foi criado pelo governo de Marcello Caetano, em 1970, depois de largas hesitações anteriores, mudando completamente o concelho. A população explodiu e diversificou-se, a paisagem ganhou novas configurações e a comunidade luta para manter a sua integridade e a qualidade de vida, mitigando os

Porto de Sines, fotografia de sulinformacao.pt
impactes negativos da instalação das novas unidades.
O projecto de construção da de Vila Nova de Santo André, de raiz, era para a migração populacional de Sines. Mas hoje, pelo porto de águas profundas de Sines, já passa mais de metade do tráfego portuário em Portugal (e espera-se que este tráfego continue a crescer com as obas do Canal do Panamá), sobretudo de contentores. Fala-se agora nna necessidade de construção de uma adequada ligação ferroviária a Espanha e à Europa Central (o tal TGV de mercadorias).
Entretanto, o Festival de Música do Sudoeste, em Odemira, no início de Agosto, com música da pesada, e muitos forasteiros melómanos de pé descalço, anima e rás gente a toda a região desde 1997. Foi com este Festival, por exemplo, que cresceu uma estância balneária de Odemira, chamada Zambujeira do Mar (e que pertencia antes à freguesia de São Teotónio).
Por outro lado, desde 1988, a boite-discoteca Sudwest, em Vila Nova de Mil Fontes (praia que também já vai tendo as suas

Praia da Zambujeira do Mar, fotografia de playocean
tradições, e que viveu muito de um mito em fase de acabar, O Malhão, que viveu até agora com a beleza do isolamento, e vai chagar ao fim com os acessos a serem vorazmente construídos), anima toda a região. Antes, era o seu Forte de São Clemente (construído como defesa da região por ordem de Felipe I de Portugal e II de Espanha), ou Castelo (transformado num curioso hotel), que davam graça especial a esta simples vilinha piscatória.
Neste pequeno apanhado de praias da costa alentejana (ou vicentina) só me falta uma pequena referencia à pequena e simpática Melides, que suponho ser a que mais perto fica de Grândola, por estrada (hoje

Festival do Sudoeste, em Odemira, fotografia de casasbrancas.pt
ninguém anda a pé) bonita e pouco acidentada. De resto, Melides é uma freguesia do concelho de Grândola. Fica situada junto à lagoa do mesmo nome, na língua de areia que separa a água doce das ondas do oceano parecença simpática com a Foz do Arelho). Os bons acessos, o extenso areal, a existência de restaurantes e um bem sucedido mercado de aluguer de quartos particulares tornaram-na numa das mais procuradas praias da região. Os estrangeiros enamoraram-se da vila (situada a cerca de 4 quilómetros da praia) e das matas dos arredores. E tem um parque de campismo a cerca de 1 km. Para aqui terá naufragado uma noite Fernão Mendes Pinto, atacado por corsários franceses.