Vinagrete 16.05.12

O fim anunciado de Dilma

Fotografia do Globo

Fotografia do Globo

O Senado brasileiro lá aprovou o processo de ‘impeachment’ (destituição) da Presidenta Dilma Rousseff, com 55 votos a favor e 22 contra, o que a afasta automaticamente do cargo durante 180 dias, para ser julgada. A sessão durou 20 horas e trinta minutos, durante os quais 71 senadores fizeram declarações, antes dos 77 presentes votarem (mais de metade alvos de processos da Justiça brasileira). Dilma Rousseff deve ser notificada da decisão dentro de algumas horas e em seguida o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, será também notificado e assumirá interinamente a Presidência da República (para a qual, numa ganância não escondida, já tem ministros preparados), até ao julgamento final do processo, que ainda não tem data definida. Nem mesmo os apoiantes mais otimistas do Governo acreditavam já na possibilidade do arquivamento do pedido de abertura do processo de destituição da Presidenta, que tinha perdido o apoio da maioria dos partidos que a sustentavam (entre os mais de 20nrepresentados no Congresso).

Hoje a Presidenta fez uma declaração ao País, que passou também através das redes sociais. Onde Dilma separa os erros que pode ter cometido, dos crimes que não fez.

Devemos realmente preocuparmo-nos por o Brasil voltar a cair nas mãos dos corruptos que promoveram este ‘impeachment’, sem sequer o decoro de evitarem elogios aos torcionários da ditadura? No fundo, o País regressa a um sistema de corrupção em que se afundara há 100 anos, e de que os Executivos de Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e Dilma Rousseff foram uma espécie de exceção, com a promoção de uma classe média nunca vista no Brasil, e mesmo na América do Sul. É pena a Direita deixar-se ali identificar demasiado com o golpismo. Veja-se o terror que tiveram de novas eleições.

Mas talvez o PT acabe por merecer também um bocadinho (o problema é o que sobra para toda a população desfavorecida) o que agora sofre, por não ter querido ou sabido combater claramente a corrupção.

Particularmente anedótica foi a sucessão de revogações do substituto do Presidente do Congresso afastado por um juiz dos metidos na corrupção e no ‘impeachment’ (dizem, que há juízes de alta qualidade e impolutos no Brasil, como o atual e anterior presidentes do Supremo, mas vamos esperar para ver o que lhes acontece). Parece que foi preciso um juiz explicar-lhe que não devia revogar o ‘impeachment’, se não seria necessário voltar a legalizar o congressista Cunha (afastado logo a seguir, por se supor não ser já necessário).

Enfim, aguardemos o desenrolar de um processo que é mesmo real.

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